15.2.13

ALIMENTAÇÃO PARA A EPILEPSIA



A epilepsia, logo a seguir à dor de cabeça, é uma das perturbações neurológicas mais difundidas. Calcula-se que cerca de 1% da população esteja afetada.A palavra epilepsia deriva do grego epilambanein, que significa “apanhar de surpresa”. E, de facto, os ataques epiléticos acontecem subitamente, mesmo se a pessoa afetada e, sobretudo, os familiares que a rodeiam, conseguem perceber os sinais premonitórios. A incidência máxima ocorre na infância e na velhice: no primeiro e no sexto ou sétimo decénio de vida.Infelizmente, até hoje, cerca de 20-30% das pessoas tratadas, mesmo com mais medicamentos, não conseguem controlar os ataques e depois viver uma vida normal. Até mesmo a cirurgia tem um âmbito muito limitado, porque aplica-se a pessoas que apresentam uma epilepsia cujo centro no cérebro está bem identificado e pode ser removido sem danos para as funções cerebrais: são relativamente poucas as pessoas que podem beneficiar da cirurgia.
Sobreviver à MedicaçãoHá mais de 80 anos que é evidente a eficácia de uma alimentação pobre em hidratos de carbono e rica em gorduras no controlo dos ataques epiléticos.O primeiro relatório médico é de 1921 e, até 1938, a alimentação era o único instrumento nas mãos dos médicos para controlarem a epilepsia. Mais tarde, com o surgimento do primeiro medicamento antiepilético, a terapia alimentar foi considerada ultrapassada e colocada de parte. Felizmente, apesar da multiplicação de medicamentos antiepiléticos, a sua memória e a sua prática sobreviveram em alguns centros médicos, o que permitiu, atualmente, a sua recuperação.No início dos anos noventa, na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, curaram com esta alimentação um rapaz chamado Charlie. Sofria de uma epilepsia resistente aos medicamentos e até mesmo à cirurgia. Com a dieta, solucionou os seus ataques. Desde então, foi criada a Fundação Charlie, que deu uma notável ajuda à difusão da terapia alimentar da epilepsia e à investigação científica.O centro da Universidade Johns Hopkins tratou mais de 500 pessoas, em grande parte crianças, com epilepsia parcial (ou focal), resistente aos medicamentos. Das estatísticas da Johns Hopkins concluiu-se que, em três meses, obtém-se, maioritariamente, uma diminuição da frequência dos ataques e que é possível reduzir os medicamentos desde a primeira semana da alimentação.É evidente que não estamos face a uma panaceia. Em todos os casos, uma revisão sistemática, publicada em 2000, na Pediatrics, a revista da Academia Americana de Pediatria, tinha concluído que 16% das crianças tratadas com a alimentação já não têm ataques significativos, 32% reduziu em 90% os ataques mais fortes e 56% reduziu em mais de 50% os ataques.A dieta rica em gorduras é também conhecida como cetogénica, porque produz a formação de corpos cetónicos, uma substância derivada da oxidação dos ácidos gordos no fígado, como o 3-hidroxibutirato e a acetona. Esta última é eliminada principalmente pela respiração: daí o odor ácido de uma pessoa num estado de cetose.Esta dieta, até pelos seus riscos metabólicos (consomem-se muitas gorduras saturadas, provenientes da nata e do queijo!) foi recentemente revista. Em duas frentes: substituição das gorduras saturadas pelas gorduras polinsaturadas (consumo de nozes, amêndoas, sementes de linho, óleos vegetais e verduras) e redução da percentagem de gorduras com um ligeiro aumento dos hidratos de carbono e, sobretudo, das proteínas.Os resultados têm sido muito encorajadores: a alimentação pobre em gorduras saturadas e com mais proteínas produz o mesmo resultado que uma alimentação rica em gorduras saturadas, com a vantagem de controlar melhor o colesterol.Mas, estudos recentes colocam em primeiro plano outros fatores: o papel central é desempenhado pelo jejum e por uma alimentação hipocalórica e com baixo teor de glicose. A gordura existe, mas não é o único elemento. Como explicamos de seguida, a dieta eficaz e segura no controlo da epilepsia parece ser: poucos hidratos de carbono, mais proteínas e gorduras, mas, sobretudo, poucas calorias.
Quando o Cérebro Muda de CombustívelO cérebro é um órgão que consome muito oxigénio e glicose. Vinte por cento de todo o oxigénio do nosso organismo é consumido pelo cérebro, que depende igualmente do fornecimento de glicose que recebe no sangue. A glicose vem, em parte, transformada em lactato e, em parte, entra num ciclo de transformação (o conhecido Ciclo de Krebs) que dará vida aos neurotransmissores excitatórios mais importantes: glutamato e aspartato.Foi visto que, no decurso de um ataque epilético, existe um forte aumento da utilização de glicose e, portanto, da produção de glutamato e aspartato. Mas se se jejuar, depois de 24-48 horas, as reservas de glicose esgotam-se. Neste ponto, o cérebro muda de dieta e consome, como carburante, os corpos cetónicos, substâncias derivadas das gorduras que são introduzidas pelo fígado no sangue.Numerosas provas experimentais demonstraram que o aumento dos corpos cetónicos no sangue coincide com uma redução da excitação nervosa, com a redução de aspartato e o aumento de Gaba (ácido gama amino butírico), o controlador principal da excitação nervosa.Ora, o aumento dos corpos cetónicos no sangue pode conseguir-se seja aumentando o consumo de gorduras, seja reduzindo o consumo de calorias forçando assim o fígado a utilizar a gordura corporal de reserva.
Francesco Bottaccioli,
Presidente honorário da Sociedade Italiana de Psiconeuroendocrinoimunologia

9 comentários:

Vera Lúcia Barreira Ferreira disse...

A minha filha sofre de convulsoes tonico-clonicas desde 1 ano de idade e ja teve mais do que 30 crises convulsivas durante um quadro febril e 4 episodios de crises apireticas. A ultima convulsao teve lugar no hospital de Lagos e durou 23 minutos. Neste momento esta internada em Faro. Quando sair, vou iniciar uma alimentacao mais cuidada na esperanca de reduzir as suas crises. Obrigada.

Hostile Inc. disse...

Se Deus quiser, ela vai ficar bem melhor, Vera Lucia!

saulo kuuano disse...

tenho epilepsia desde 2010 o que faço pra eu ta tendo uma alimentação boa e também faço academia tem dias que da ataque, e gostaria de saber se posso tomar algum suplemento de musculação eu já tomo 2 remédios é o gardenal e hidental.

Gilvan Medeiros disse...

Tenho epilepsia há 15 anos, tive pouquíssimos episódios durante esse período. Durante minha infância e adolescência nunca me sentia a vontade para conversa com ninguém sobre o assunto, mas com o passar dos anos fui deixando isso de lado. Recentemente comecei uma dieta Low Carb e com pesquisas encontrei o Dr. Mohamad Barakat e venho acompanhado principalmente através das redes sociais deste medico. Percebi uma melhora substancial na minha saúde após a adesão ao Low Carb. Neste mês fiz a aquisição de dois livros muito indicados por pessoas que aderiram a está dieta e super recomendo: A dieta da mente - DR. David Permutter e Pilares para uma vida saudável - DR. Mohamad Barakat, com o auxilio destes exemplares com certeza você entenderá o funcionamento de nosso corpo e mente ao nos alimentarmos.

Abraao Souza disse...

tenho um amigo que tem convulsões,mas alfuns anos que ele teve crise .ele toma remédio,um se chama carmapazepina e o outro rivotril.qual o efeito que esses remédio causa para que ele nao der as crises?

Abraao Souza disse...

tenho um amigo que tem convulsões,mas alfuns anos que ele teve crise .ele toma remédio,um se chama carmapazepina e o outro rivotril.qual o efeito que esses remédio causa para que ele nao der as crises?

Rossi Liarte disse...

Meu filho está sofrendo de crises desde 9 anos......toma Carbamazepina percebo que controla um pouco mas não resolve as crises. Observei que a mudança de alimento com menos carboidratos e e também totalmente sem açúcar uso mascavo agora ele tem melhoras quando não se alimenta o que contem derivado de soja e leite que contém glúten fazem mal para ele....tirei salgadinhos industrializados, doces, iogurtes, café, açúca refinado, pão, refrigerante todo produto que escrito glutamato de monossodico tirei também. Hj ele toma chá com tapioca, come frutas menos uma que agora não estou lembrando o nome parece com a mexerica....ele melhorou muito. Quando eu desleixo com ele na alimentacao tipo libero algo que contenha um desses produtos acima ele tem crise. Outrossim celular ele usa apenas 30 minutos por dia....tv tela plana troquei a maior por menor....tenho todo um cuidado qual filme assistir com ele no cinema por causa das luzes podem causar crise

João disse...

Tenho uma filha de 20 anos , que tem convulsões de difícil controle, gostaria muito de orientações dessas dietas comentadas principalmente a Low Cab, achei bem interessante

De graça é Mais Gostoso disse...

Tambem sofro convulsão desde de 2012 vou fazer 26 anos passo as vezes de tres meses sem da convulsao antes eu tomaava gardenal ai o medico me passou o depakote pra tomar nao sei se e alimentação que ta me causando isso porque maioria das vezes eu tou comendo quando eu passo mal minha ultima convulsão foi ontem e fui muito mal ao hospital alguem me explica ai olha meu zap 04198981121859 ou meu imail jhonlennon948@gmail.com..