Sejamos francos. O bronzeado é fantástico! Alguns até pensam que dá uma aparência de saúde. Mas, não importando quão estonteante possa parecer a andar pelo escritório três tons mais escuro do que qualquer outro colega, pode ser que esteja a preparar-se para um futuro não muito risonho.
“A pigmentação é uma resposta a danos”, explica o Dr. Henry A. Greenblatt, dermatologista de Nova Iorque. Diz que a pele se bronzeia “apenas para se proteger de danos maiores. Tenho doentes que vão a um instituto de beleza para se bronzearem e que dizem: ‘Bem, vou a um cruzeiro às Caraíbas e quero bronzear-me antes de ir para que não tenha problemas quando lá chegar.’ E respondo-lhes: ‘Então, está a danificar a sua pele agora e a fazê-lo, também, mais tarde. Porque é que não deixa de fazer ambos os danos?’”
O conselho de Greenblatt é simples e directo. “Use protector solar, evite o sol nas horas de ponta, e certifique-se de que não apanha nenhum escaldão. Faça tudo o que puder – quer seja tapar-se com roupa ou ficar à sombra. Há várias maneiras de evitar os danos.”
Um de Muitos
Ficar deitado ao sol é apenas uma das formas de ficar com problemas de pele. Por vezes, longas horas de exercícios – jogar ténis, nadar ou caminhar – sem proteger a pele podem causar resultados nada animadores. O mesmo se aplica com a jardinagem e o aparar a relva. A pele precisa de ser protegida.
A poluição atmosférica representa outra questão. O aumento dos níveis de poluição está a enfraquecer a camada de ozono, permitindo que mais radiação solar nos atinja. Embora as ondas ultravioletas (UV) “sejam mais longas e tenham menos energia do que a radiação ionizante como o raio X”, diz o Dr. Andrew Weil no seu livro Ask Dr. Weil [Pergunte ao Dr. Weil], “Ainda são suficientemente poderosas para penetrar nas células vivas da pele e causar danos ao ADN.”
Ele continua dizendo que “a radiação UV não danifica apenas a pele; pode causar, também, perda de visão conforme a pessoa for envelhecendo, danificando a retina (degeneração macular) e o cristalino (cataratas).”
Usar um bom protector solar pode ajudar a proteger-nos enquanto nos deliciamos por estar ao ar livre num dia ensolarado de Verão. Camisas leves, folgadas, de mangas compridas, calças ou saias compridas, um chapéu de abas largas, e um par de óculos escuros de boa qualidade, representam poderosos antídotos para uma pele danificada pelo sol.
Talvez a vaidade pessoal dite que prefere não andar, numa tarde à beira-mar, vestido desta maneira. Então, agende as suas caminhadas para as primeiras horas calmas da manhã, quando o sol está a nascer, ou para os fins de tarde quando ele já está na sua viagem para ocidente. Talvez possa, até, fazer um passeio romântico à luz da lua. Nunca ninguém sofreu de queimaduras de pele por raios lunares.
Se tiver mesmo de sair durante o dia, use um protector solar adequado ao tipo de trabalho. Um creme ou spray que indique um nível de SPF-15 deve ser considerado o mínimo para bloquear tanto os raios UV-A como os UV-B. Não se esqueça dos óculos de sol com protecção UV.
Cancro de Pele a Aumentar
“Atendo pacientes com cancro de pele todos os dias, sem excepção”, diz o Dr. Greenblatt. Fazendo uma retrospectiva dos seus vinte anos na área da saúde, acrescenta: “Antigamente, não via tantas pessoas na casa dos trinta ou até dos quarenta a sofrer de cancro de pele. Agora vejo-o em pessoas na casa dos vinte.”
No seu livro The Best Treatment [O Melhor Tratamento], o Dr. Isadore Rosenfeld diz que, até muito recentemente, “a pele bronzeada trazia uma áurea de luxo – muito tempo livre, exercício, sol e ar fresco. Era visto como bela e saudável, tanto em homens como em mulheres. Agora sabemos que isso não está correcto. As consequências, a longo prazo, de uma exposição crónica excessiva ao sol são: a) cancro de pele, um dos quais, o melanoma maligno, é uma ameaça para a vida; e b) danos à pele com o resultante envelhecimento precoce e enrugamento. Mas, não obstante toda a educação do público sobre os perigos envolvidos, muitos teimosos ainda passam a maior parte das suas férias deitados, sem se mexerem, durante horas a torrarem ao sol à beira da piscina ou na praia. Quando não conseguem o que querem ao ar livre, vão aos solários.”
Para muitas pessoas, os institutos de beleza com solários tornaram-se muito populares. Ainda no seu livro Ask Dr. Weil [Pergunte ao Dr. Weil], este relata: “Os raios dos solários podem, na realidade, ser mais fortes do que os do sol.” Citando um estudo sueco feito há alguns anos, acrescenta: “as pessoas com menos de trinta anos que costumam frequentar solários mais de dez vezes por ano, têm um risco sete vezes mais elevado de contrair melanoma do que as outras pessoas. A maior parte dos cancros de pele estão relacionados com a radiação UV, e o melanoma é o mais mortal. Não existe essa coisa de raios ‘bronzeadores’, diferentes dos raios ‘queimadores’. A luz UV-A dos solários é pelo menos tão perigosa como as dos raios UV-B que se apanham durante as horas de maior calor.”
Embora ele não diga às pessoas para evitarem o sol a todo o custo, o Dr. Weil adverte: “um bronzeado não é, definitivamente, um sinal de saúde. A única coisa que é boa num bronzeado é que isso quer dizer que esteve ao ar livre, onde talvez tenha feito exercício físico, relaxado e divertido. Obter um bronzeado num salão, sem o benefício das actividades saudáveis, não é o que o médico recomenda.”
Então, e o que dizer de uma lâmpada solar? Uma vez mais, a resposta é não. Um artigo publicado no Charlotte Observer tinha este importante conselho: “Torrar regularmente, sob uma lâmpada solar, até obter um bronzeado dourado, pode aumentar o risco de melanoma maligno, um cancro de pele que é, por vezes, fatal.” O estudo mencionava no artigo que ao analisar o estilo de vida e o risco de melanoma em mulheres entre os 30 e os 50 anos, encontraram o que os investigadores chamam da mais forte evidência já obtida de que o bronzeado resultante da exposição à luz artificial pode ser perigoso para uma pele saudável.