25.8.13

Para uma Vida Abundante

... não é necessário comida abundante
INTRODUÇÃO
Parece um paradoxo, mas esta é a verdade crua dos números: morrem mais pessoas por excesso de comida do que por falta dela. Saber comer tornou-se não só numa questão de sobrevivência da espécie humana, como ainda numa problemática ética, com a qual se joga o respeito pela sustentabilidade ambiental e a biodiversidade.
Os padrões alimentares que são adoptados pelos povos, promovidos pela indústria da comunicação social, obrigam-nos a desenvolver uma atitude de alerta e crítica.
Por outro lado, os modelos seguidos pela civilização actual relativamente aos processos de cura da doença e disfuncionalidade (tais como uma simples dor de cabeça) estão directamente relacionados,
na maior parte das vezes, com o tipo de alimentação seguida.

Estas são já razões suficientes para eleger a temática da alimentação no âmbito da promoção da saúde.
Seria utópico desejar, neste artigo, cobrir todas as dimensões relacionadas com a alimentação. Não só não teríamos o espaço necessário para o fazer numa revista desta natureza, como ainda as várias questões que se levantam obrigar-nos-iam a uma discussão muito detalhada de aspectos que poderiam saturar o leitor.
Assim, optamos por nos centrarmos numa pergunta: Para viver abundantemente, como é que me devo alimentar? O desafio não é tarefa pequena: será possível encontrar em poucas páginas de texto uma orientação suficientemente segura que possa resistir “às modas” e salvaguardar o bem-estar?
O passado da nossa história foi marcado por lutas pela sobrevivência da espécie, numa engenhosa actividade para garantir a subsistência. Enquanto, em muitas partes do Planeta, a escassez marca a rotina da sobrevivência, no Ocidente, e em Portugal, abundam os alimentos.
No entanto, esta abundância não eliminou as preocupações em torno do que se come. Para muitos, comer de um modo saudável tornou-se num verdadeiro quebra--cabeças: são os morangos bem esticados e vermelhos, alimentados de modo pouco natural; são as alfaces regadas com ninguém sabe bem o quê; são os frangos que foram enfeitados com nitrofuranos. É a carne de vaca que pode enlouquecer os humanos; é a carne de porco que envenena o organismo; são os bivalves das lagoas e costas portuguesas que vegetam nas águas poluídas pelas descargas das pocilgas e esgotos não tratados – sem sabermos depois se o que estamos a comprar é produto congelado durante a época da proibição; é o peixe que nos carrega de metais pesados debaixo da sua aparente candura… E a lista poderia continuar ao infinito. (1)
A situação é de tal maneira grave que a Comissão Europeia introduz deste modo a problemática da segurança alimentar: “as crises alimentares da última década chamaram a atenção para a existência de riscos de contaminação a partir de determinados tipos de alimentos para animais, principalmente os utilizados nos sistemas de criação intensiva.” (2) 

Neste labirinto de armadilhas e perigos, existem duas atitudes:
– desistir de fazer escolhas saudáveis e, assim, quando acontecer, aconteceu (a doença);
– empreender uma estratégia promotora de vida abundante, quando estamos perante a escolha no campo alimentar.
Escolher é uma das mais preciosas características de qualquer ser humano. Ela assenta fundamentalmente no conhecimento que temos sobre os domínios nos quais podemos exercer essa capacidade.
A questão prende-se, assim, não com a discussão de viver para sempre, e outras utopias, mas de agarrar a vida que temos e vivê-la de maneira abundante. Quando se fala de proveito e se pode pensar em bom proveito, imediatamente muitos dirão que deixar de comer isto ou aquilo, é incompatível com esse tão procurado bom proveito, e por isso há que comer de tudo o que nos sabe bem.

A vida só é sustentável se abraçarmos uma nova visão do que ela representa, ao ser sustentada pelo contributo da Nutrição! Aceitar-se um novo conceito de alimentação é a possibilidade de usufruir de vida com bom proveito! Pode ser um pequeno passo que mudará o rumo não só da sua vida, mas o próprio futuro da humanidade. (3)
As Nações Unidas estimam que 130 milhões de europeus são afectados por episódios de doenças provocadas pela alimentação. A diarreia, uma causa de morte e atraso do crescimento das crianças, é um dos sintomas mais comuns das doenças causadas pela nutrição errada. Com os novos patogénicos, agentes transmissores de doença, como o agente da encefalite espongiforme bovina e a utilização de antibióticos nas rações de animais (que transferem ambio-resistência aos patogénicos humanos), estamos perante um problema fundamental de saúde pública.
Através da alimentação não racional, o organismo humano incapacita-se também para resistir à doença. Por isso, existem duas regras de ouro para vencer a luta contra a doença, que podem ser desencadeadas por uma nutrição incorrecta:
• comer fundamentalmente o que for de primeira apanha,
• e promover a biodiversidade do planeta azul do sistema solar.

1ª Regra para uma alimentação de uma vida abundante: 
Comer o que for de primeira apanha!
Uma alimentação racional é uma das mais importantes mudanças a promover, se deseja viver abundantemente. Esta é uma expressão muito usada, e que merece ser aqui dissecada. A evidência científica apontaria para uma definição de alimentação saudável ou racional como aquela que é constituída pelos nutrientes provenientes dos produtos com o estatuto mais primário da cadeia alimentar. (4)
Um grão de milho que é comido por uma galinha, que depois é ingerida por uma criança, mas deixa os ossos para serem moídos e produzirem rações que vão alimentar uma vaca que, depois de morta, será consumida em bifes e costeletas, representa um exemplo típico do que é a cadeia alimentar actual.
Recordo-me de ouvir dizer que, no tempo dos meus avós, a fruta era para os porcos. Hoje, as campanhas alimentares provocaram uma mudança neste tipo de comportamento e as maçãs e as pêras, que eram deitadas aos suínos, são consumidas pelos humanos… infelizmente, juntamente com os mesmos porcos. Em vez de comermos uma cenoura que foi mastigada por um coelho, devemos, em vez do coelho, comer a cenoura. Em vez de comermos um bife de vaca que foi alimentado pelas rações compostas de favas e aveia, ossos de galinha misturadas com antibióticos e outros medicamentos, devemos comer as favas e a aveia. Em lugar de nos alimentarmos de peixe espada, que ninguém poderia supor encontrá-lo contaminado com chumbo, deveríamos reforçar a alimentação com produtos hortícolas.
Por outras palavras, quanto mais processado for um produto na cadeia alimentar, menos adequado será para o consumo humano. (5)
A melhor alimentação para o ser humano é aquela que foi processada o menos possível. Deste modo, ainda que ela contenha insecticidas e outros produtos que os agricultores se dispõem a colocar para chamar a atenção do cliente nas bancas do supermercado, o nosso organismo estará mais bem preparado para combater esses venenos.
Se eles nos chegarem em primeira mão, em vez de já processados por outros organismos vivos, que os concentraram em altas quantidades nos seus tecidos, constituindo posteriormente a base da nossa alimentação, a nossa saúde será beneficiada.
Assim, uma alimentação própria para o consumo humano deveria ser construída no patamar mais básico da cadeia alimentar.


2ª Regra para uma alimentação de uma vida abundante:
Comer, mas sem destruir a vida e o planeta que nos acolhe nesta viagem pelo espaço! 
Esta questão é fundamental por uma outra ordem de razões.
Estamos cansados de ouvir falar da sustentabilidade (ou ausência dela) da vida no planeta Terra. (6) Agora até se tornou moda de “bem parecer” com as campanhas mediáticas de pessoas famosas. Gostaríamos de ver renascer, como o sol numa manhã de Primavera, a justiça, a paz, o fim das tensões sociais. Empenhamo-nos em conferências internacionais para que se respeite a biodiversidade como condição sine qua non da sobrevivência da espécie, e não nos cansamos de apelar ao bom senso de políticos.
Mas e nós, cidadãos, que papel temos a desempenhar nestas questões?
O respeito pela biodiversidade7 passa pelas nossas opções em termos nutricionais também. Importa, por isso, lançar um vasto movimento sócio-ecológico para garantir a sustentabilidade da vida humana neste canto do Universo.
A destruição da floresta amazónica não é só consequência da exploração das madeiras, mas também da pressão do consumo de carne que a industrialização veio impor. (7)
Deste modo, são destruídos os habitats de espécies raras. Com as enormes quantidades de amoníaco (entre outros) produzidas pelas manadas de vacas a perder de vista, o subsolo é destruído e os afluentes dos rios são poluídos a uma velocidade desconhecida do passado da história humana, colocando-se em causa o equilíbrio desses ecossistemas. Por isso, se diminuísse a procura de hambúrgueres e pratos confeccionados à base de carne, a pressão sobre as florestas tropicais diminuiria drasticamente, vislumbrando-se um futuro diferente para a humanidade.
Isto não é um discurso catastrofista: levará ainda alguns anos até que a catástrofe aconteça; mas ela acontecerá, se não mudarmos as nossas escolhas de hoje, que poderão hipotecar ou reforçar as condições para uma vida abundante no futuro. Assim, “comer o que bem me apetece” assume contornos de responsabilidade social e ecológica. (8,9)
Mas esta questão ecológica vai ainda um pouco mais além das florestas. Ela toca o sensível problema do sofrimento provocado nos animais destinados ao consumo humano. Há algum tempo vi um documentário onde era apresentada a necessária mutilação provocada aos pintos ao lhes ser cortado o bico com uma guilhotina, antes de serem colocados em pequenas gaiolas onde a luz artificial, conjugada com a luz natural, não davam descanso à produção em grande escala de frangos...
A consciência ecológica que dá os passos tímidos, um pouco por todo o lado, deveria estimular a nossa sensibilidade para reformular conceitos de vida e paladares. Por isso, a escolha de uma alimentação racional não é mais um assunto do foro individual, mas é uma responsabilidade social, que assume contornos sociais específicos, que implicam a sobrevivência da própria espécie, pois ela depende profundamente da biodiversidade que a envolve.
Afinal, a alimentação pode contribuir para uma vida abundante. Para isso, a regra é simples: comer o que for de Primeira Apanha, comer mas SEM Destruir a Vida e o Planeta (PAsemDVP). Se nas escolhas que fizermos no dia-a-dia esta for a nossa procura, constataremos que naturalmente os padrões de procura alimentares se reformularão, a fome será eliminada, a saúde das populações melhorada, e, finalmente, cada um poderá viver mais abundantemente.

Bibliografia:
1. Update: multistate outbreak of Escherichia Coli O157:H7 infections from hamburgers—western United States. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 1993 Apr 16;42(14):258-263).
2. Do campo à mesa Uma alimentação segura para os consumidores europeus Série: A Europa em movimento Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, p. 6, 2005
3. Ornish, D., Brown, S.E., et al. 1990. Can Lifestyle Changes Reverse Coronary Heart Disease? The Lifestyle Heart Trial. Lancet Jul 21;336(8708) :129-133
4. Anderson J , Johnstone BM, Cook-Newell ME. Meta-analysis of the effects of soy protein intake on serum lipids. N Engl J Med 1995 Aug 3;333(5):276-282)..
5. WHO Commission On Health and Environment. Environmental Effects of Intensive Agricultural Production. In: Report of The Panel on Food and Agriculture. Geneva, Switzerland: World Health Organization, 1992 p. 48.; Pennington JA. Nutrient Content Chapters on “Meats”, “Poultry”, and “Milk, Yogurt, Milk Beverages, and Milk Beverage Mixes. In: Bowes and Church’s Food Values of Portions Commonly Used, 5ª Edição. Philadelphia, PA: J. B. Lippincott Co., 1989 p. 135-146, 150-155, 160-165
6. Agenda XXI, Conferência do Rio de Janeiro, 1992
7. Nadakavukaren, A. Introduction to Ecological Principles. In: Man and Environment, A Health Perspective - 3ª edição. Prospect Heights, IL: Waveland Press, 1990 p. 36
8. WHO Commission on Health and Environment. Environmental Effects of Intensive Agricultural Production. In: Report of The Panel on Food and Agriculture. Geneva, Switzerland: World Health Organization, 1992 p. 39
9. Isabel do Carmo, Saúde em Tempo de Risco, Relógio d’água, 1993, p.90

Luís Nunes
Sociólogo da Medicina e da Saúde Pública
Mestre em Saúde Pública



O que são os glúcidos?
Os glúcidos são hidratos de carbono: lactose, glicose, frutose, amido, etc., e a sacarose. São os alimentos energéticos do músculo. É preciso fazer uma distinção entre os açúcares contidos realmente nos alimentos e a sacarose pura (obtida industrialmente) que se incorpora nos alimentos: bebidas, chocolates, gelados, sobremesas, bolos, bombons.
HIDRATOS DE CARBONO
FAMÍLIA ALIMENTAR
Pão, grãos e cereais (incluir quatro ou mais escolhas que sejam integrais)

6-11 DOSES/DIA 

TAMANHO MÉDIO DA DOSE
1 fatia de pão
¾ a 1 chávena de cereais secos
½ chávena de arroz cozido, massa ou cereal
1 pão pequeno ou um queque
NECESSIDA

DESCRIÇÃO DAS FAMÍLIAS DE ALIMENTOS

Esta família de alimentos inclui milho, trigo, aveia, cevada, centeio, milho árabe, arroz, e a vasta variedade de produtos feitos com as suas farinhas e grãos.
Estes alimentos formam a base da alimentação e fornecem as vitaminas B, minerais, proteínas e fibra.

SUGESTÕES PARA ESCOLHAS SAUDÁVEIS SELECCIONE OS PRODUTOS COM A DESIGNAÇÃO DE TRIGO INTEGRAL OU CEREAIS INTEGRAIS OU QUE TENHAM GRÃOS INTEGRAIS COMO INGREDIENTE PRINCIPAL. ESCOLHA PÃO QUE TENHA FERMENTO NATURAL, POIS ESSE PROCESSO DE FERMENTAÇÃO AUMENTA A DISPONIBILIDADE DE MINERAIS PRESENTES NOS GRÃOS INTEGRAIS, TAIS COMO FERRO, ZINCO E CÁLCIO.

DES ESPECIAIS Os adolescentes, os jovens adultos e os indivíduos fisicamente activos poderão requerer até 11 ou mesmo mais doses deste grupo.
Faça do seu pequeno-almoço o seu prato forte do dia… e não tenha medo de engordar.
A desculpa para não tomar um bom pequeno-almoço, baseada no argumento da “redução de calorias para não engordar” não é válido de acordo com o seguinte exemplo (exemplo 1):

Como constata, não vale a pena não comer bem logo pela manhã: o almoço tipo 1 tem menos calorias e contribuirá para sustentar os níveis energéticos ao longo da manhã.


Exemplo 2: procure um pequeno-almoço com menos gordura, açúcar e o mesmo nível de proteínas:

O pequeno-almoço (tipo 2) tem muito menos açúcar e gordura, relativamente ao tipo 1. Mas tem o mesmo nível de proteínas e mais gordura insaturada.


Escala de Conhecimento Nutricional para uma Vida Abundante
1. Das duas frases, seleccione com qual delas mais concorda:
a) O que as pessoas comem ou bebem tem pouca influência sobre o desenvolvimento das doenças mais comuns;
b) Comendo os tipos certos de alimentos, as pessoas podem reduzir as suas chances de desenvolver as doenças mais comuns.
c) Não sei.
2. Na sua opinião, quais as doenças que podem estar relacionadas com o que as pessoas comem e bebem?
3. Pensa que se pode associar o cancro com o que as pessoas comem e bebem?
a) Sim
b) Não
c) Provavelmente
d) Não sei
4. Que atitudes ajudariam se uma pessoa quisesse reduzir as possibilidades de vir a ter certos tipos de cancro?
(assinale quantas alternativas quiser):
a) Comer mais fibras
b) Comer menos gordura
c) Comer mais frutas e hortaliças
d) Moderar o consumo de outros alimentos/nutrientes (por exemplo, sal e açúcar)
e) Nenhuma dessas mudanças ajudaria
f) Não sei
5. Alguns alimentos contêm fibras. Já ouviu falar de fibras?
a) Sim
b) Não
c) Não sei
6. O que contém mais fibras: 1 tigela de farelo de trigo ou 1 tigela de mistura de cereais?
a) Farelo de trigo
b) Mistura de cereais
c) Ambos
d) Não sei/não tenho certeza
7. O que contém mais fibras: 1 porção de alface ou 1 porção de cenouras?
a) Alface
b) Cenoura
c) Ambos
d) Não sei/não tenho certeza
8. O que contém mais fibras: 1 porção de espaguete com almôndegas ou 1 porção de feijão?
a) Espaguete com almôndegas
b) Feijão
c) Ambos
d) Não sei/não tenho certeza
9. O que contém mais gordura: batatas fritas ou imitação industrial de batata frita?
a) Batatas fritas
b) Imitação industrial de batata frita
c) Ambos
d) Não sei/não tenho certeza
10. O que contém mais gordura: 1 copo de refrigerante ou 1 copo de leite completo?
a) Refrigerante
b) Leite completo
c) Ambos
d) Não sei/não tenho certeza.
11. O que contém mais gordura: 1 pedaço pequeno de bolo simples ou 1 fatia de pão integral?
a) Bolo simples
b) Pão integral
c) Ambos
d) Não sei/não tenho certeza
12. Quantas porções de frutas e hortaliças acha que uma pessoa deve comer por dia para ter boa saúde?

CALCULE A SUA PONTUAÇÃO: 
Por cada alínea seleccionada nesta chave que corresponda à sua selecção acrescente 1 valor. Os pontos devem ser somados para perfazer a pontuação total.
1. b); 2. 1 ponto para a menção de três das seguintes doenças: obesidade, doenças carenciais, transtornos alimentares, cardiopatias, diabetes, hipertensão, doenças hepáticas, doenças renais, osteoporose, doenças gastrointestinais; 3. a) e/ou c); 4. a), b), c); 5. a); 6. a); 7. b); 8. b); 9. a); 10. b); 11. a); 12. 1 ponto para a resposta dentro do intervalo de 3 a 5 porções.


RESULTADOS
Pontuações totais entre zero e seis indicam baixo conhecimento nutricional para uma vida abundante; entre sete e dez indicam moderado conhecimento nutricional e acima de dez indicam bom conhecimento favorável a uma vida abundante.
Inferior a 6 pontos: Precisa de reconsiderar as suas opiniões sobre uma alimentação que favoreça uma vida abundante. Isto configura a possibilidade de poder sofrer de uma doença grave, se é que não está já a sofrer.
De 7 a 10 pontos: Deve repensar seriamente algumas crenças no âmbito da nutrição que podem prejudicar a saúde e a vitalidade. Com apenas algumas mudanças poderá obter grandes resultados. Tente!
Superior a 10 pontos: Tem um conhecimento bem desenvolvido sobre a alimentação favorável a uma vida abundante e pode desfrutar dos benefícios que isso lhe dá.




FAÇA Você mesmo!
A medição exacta da gordura é difícil de obter, existindo índices que avaliam, de uma forma relativamente correcta, a quantidade de gordura do organismo. O mais utilizado é o Índice de Massa Corporal (IMC), que se calcula pela divisão do peso (em Kg) do indivíduo pelo quadrado da altura (em metros). Por exemplo, um indivíduo que pese 75 Kg e meça 1,73 m tem um IMC igual a 25 Kg/m2, ou seja, segundo o quadro em baixo, tem um peso normal:

Classificação do excesso de peso em adultos de acordo com o IMC.

















Sobre a refinação:
Os processos de refinação provocam carências importantes ao retirarem da farinha uma parte do glúten, do fósforo e de outros sais minerais. De acordo com a USDA, Reference Nutrition Data Base, veja, em percentagem, quanto perde quando em vez de comer uma fatia de 100 g de pão completo, come uma fatia de 100 g de pão branco:
Assim, prefira pão completo (integral), pois pode guardar no seu organismo todos os nutrientes contidos no grão de trigo:

MINERAIS
Cálcio, Ferro, Fósforo, Magnésio, Potássio, Manganésio, Cobre, Sulfúreo, Iodo, Flúor, Cloro, Sódio, Silício, Boro, Berílio, Prata.

FIBRA

VITAMINAS
Tiamina (B1), Riboflavina (B2 ou G), Niacina, Ácido Pantoténico, Piridoxina (B6), Biotina (H), Inositol, Ácido fólico, Colina, Vitamina E.

O INTERIOR DO GRÃO – a endosperma – contém amido e alguma proteína. Quase não possui vitaminas ou minerais. A farinha branca é processada a partir desta parte interior e tem, por isso, poucos nutrientes.

É nas CAMADAS DA CASCA onde se encontram grandes quantidades de vitaminas, minerais, (tais como ferro – glóbulos vermelhos, fósforo para os nervos e ossos) e proteínas de boa qualidade.

O embrião, ou GÉRMEN DE TRIGO, é a zona de origem da planta, e é das mais ricas, contendo vitamina B e E, proteínas e gordura.

Na farinha branca, cerca de metade da gordura é perdida. Esta gordura é de alto valor nutritivo, pois contém ácidos gordos insaturados e vitamina B1.

19.8.13

Prescrição para a Hipertensão

Em parte alguma é o movimento “comida como medicamento” tão proclamado como quando respeita à hipertensão e às doenças cardiovasculares. Os alimentos seguintes deveriam fazer parte da dieta diária de todos aqueles que preservam a saúde do seu coração:
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Amêndoas e pistácios – uma mão cheia de amêndoas todos os dias ajuda a reduzir osperigosos lípidos de baixa densidade (LDL). Os fitosteróis dos pistácios, a L-arginina, a vitamina E e as gorduras monoinsaturadas baixam o colesterol LDL total ao mesmo tempo que aumentam os lípidos de alta densidade (HDL) que restauram a saúde.

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As gorduras monoinsaturadas e os esteróides vegetais dos Abacates fazem descer o colesterol total, assim como os triglicéridos, subindo o nível do HDL.

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Os feijões e as leguminosas reduzem, em cerca de 82%, o risco de doenças do coração. Esta informação é retirada de um estudo internacional levado a efeito pela Universidade do Estado do Arizona com a colaboração de 16 000 homens.

missing image fileA canela reduz as gorduras prejudiciais existentes no sangue e a formação de coágulos sanguíneos. Os diabéticos baixam a quantidade de colesterol total, os níveis de açúcar no sangue, os triglicéridos e os lípidos LDL.
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As uvas (quer as brancas quer as pretas) providenciam resveratrol, um fitoquímico que protege o coração.

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A aveia combate as doenças do coração, baixando o colesterol total e o colesterol LDL. Os flocos de aveia cozinhados – ricos em fibras solúveis – foram usados durante quatro décadas em mais de 40 experiências médicas.

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Os cereais integrais diminuem, em cerca de 28%, o risco de falha cardíaca. Num estudo realizado ao longo de 20 anos, os pesquisadores da Escola Médica de Harvard descobriram que a pressão sanguínea daqueles que gostavam de cereais integrais ricos em fibras permanecia controlada. O risco de diabetes também desceu.

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O iogurte de soja reduz o factor de risco inflamatório da homocisteína nas doenças do coração, enquanto melhora os níveis de colesterol LDL e HDL.

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As cebolas ajudam a impedir a formação de coágulos sanguíneos e mantêm níveis de colesterol saudáveis. Os pesquisadores da Universidade de Wisconsin, em Madison, descobriram que quanto mais intenso fosse o sabor e o cheiro das cebolas, maior seria a redução na formação de placas de gordura, doenças cardiovasculares, ataque cardíaco e apoplexia.

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As frutas e os vegetais, quando combinados com a reduzida quantidade de ingestão de sal recomendada pela Dieta DASH – Dietary Approches to Stop Hypertension – promovida pelo Instituto Nacional Norte-Americano do Coração, do Pulmão e do Sangue, baixam a tensão sanguínea em apenas 14 dias. Tanto a Associação Americana do Coração como o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos recomendam esta dieta.

in Vibrant Life

18.8.13

Activar o CÉREBRO

Hoje, as pessoas preocupam-se muito em melhorar a sua qualidade de vida para enfrentar, com maior possibilidade de sucesso, as diferentes situações que surgem com frequência no dia-a-dia. Para isso, não é suficiente desenvolver apenas o potencial físico, preparando o corpo por meio de ginástica, exercícios e actividade aeróbica. Numa visão integral do ser humano, também é necessário desenvolver o potencial interno.
missing image fileEle é especial
Responsável pela inteligência e pelos sucessos ou insucessos pessoais e profissionais, o cérebro é a estrutura mais complexa e o mais desafiante instrumento do corpo. Tão grande é a sua importância, que é o único órgão do corpo com uma embalagem rígida para a sua protecção, o crânio.
O cérebro cuida não só da manutenção da vida como também das emoções, da capacidade de raciocinar mais claramente, da facilidade maior ou menor de encontrar soluções para as diversas situações enfrentadas. É responsável pela criatividade, inteligência e aprendizagem.
O cérebro é o único órgão com possibilidade de melhorar o próprio desempenho quanto mais for utilizado. Um cérebro constantemente exigido, treinado, utilizado e desafiado terá um desempenho cada vez melhor, independentemente da idade da pessoa.
Órgão do pensamento e da coordenação neural, ele funciona por meio dos estímulos que recebe e interpreta todos os órgãos sensoriais: audição, visão, olfacto, tacto e paladar. Esses estímulos estão a fornecer, constantemente, informações captadas do ambiente. Tais informações são recebidas, transformadas em descargas eléctricas e transmitidas de neurónio para neurónio através dos dendritos e sinapses (ligações cerebrais entre neurónios) para as diversas memórias que compõem o cérebro. Aí, ficam arquivadas aguardando o momento de serem usadas.
Mas não é suficiente ter as informações arquivadas nas memórias cerebrais. A medida da inteligência é dada, principalmente, pela rapidez e presteza com que as informações são resgatadas no arquivo cerebral. Elas são cruzadas com informações que vêm de outros arquivos e colocadas à disposição da pessoa para as decisões necessárias.

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Necessidade de exercício
Para que todo esse trabalho de resgate e cruzamento de informações aconteça com eficácia e rapidez, é preciso que o cérebro esteja com os seus caminhos de informações ou sinapses devidamente desimpedidos, activos, em forma e prontos para utilização. Só assim as informações arquivadas serão resgatadas no momento certo, no tempo necessário, e circularão com rapidez, auxiliando nas decisões.
Daí a necessidade de o cérebro ser constantemente exercitado para abrir os caminhos e aumentar as ligações. Isso pode ser feito através de exercícios e movimentos coordenados do corpo que, executados de maneira apropriada, entram e estimulam partes específicas do órgão, anteriormente pouco utilizadas e desconectadas do conjunto cerebral.
Como o cérebro é dividido em duas partes, hemisférios direito e esquerdo, que são responsáveis por actividades e controlos diferentes no corpo, é necessário activar e estimular esses hemisférios para que trabalhem simultânea e integralmente, oferecendo a possibilidade da sua utilização de maneira total.
Essa é a base da ginástica cerebral desenvolvida por uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia, coordenada por um médico indiano radicado nos Estados Unidos, chamado Paul Denisson. As vantagens da ginástica cerebral são evidentes.
Com o cérebro exercitado, vive-se mais e melhor, evitando ou diminuindo os efeitos de alguns problemas característicos da velhice, como perda de memória e senilidade, despertando a criatividade e aumentando a capacidade de aprendizagem de raciocínio e de memória.


Saindo da rotina
Exercícios físicos, palavras cruzadas, quebra-cabeças, andar para trás e tomar banho no escuro podem ser estimulantes para o cérebro, dizem os especialistas na área. Segundo médicos, esse tipo de actividade é importante para manter o cérebro activo.
missing image fileDe acordo com a geriatra Fátima Fernandes Christo, na terceira idade podem aparecer doenças como a doença de Alzheimer, que interferem na memória, mas são a excepção e não a normalidade. Essa informação já foi confirmada pela revisão de 40 anos de estudos feitos na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.
Uma pesquisa, que avaliou homens e mulheres com mais de 65 anos de idade, concluiu que aqueles que se exercitam entre 15 e 30 minutos, pelo menos três vezes por semana, reduzem os riscos de sofrer de doença de Alzheimer.
A mudança da rotina é um factor importante para o desenvolvimento da capacidade mental. Mas apenas substituir uma acção por outra não quer dizer que o cérebro faça novas conexões. Por exemplo, quando se escreve um texto usando uma caneta, algumas áreas do cérebro são activadas. Se escrever o mesmo texto, mas com lápis, a diferença será pequena, mas escrever com a mão esquerda ou com um teclado leva o cérebro a criar novas conexões e a desenvolver-se.
Tente gozar férias em lugares desconhecidos, aprender um novo idioma, comunicar através de língua gestual ou praticar um hobby. Sair da rotina, viajar, ler, estudar, usar o relógio no braço trocado, aprender alguma arte. Qualquer situação nova, fora da rotina, que traga prazer, pode servir como estimulante.

Cinco coisas que preservam o poder do cérebro
• Habitue-se a ler pelo menos 20 páginas de um livro por dia.
• Faça palavras cruzadas ou algum outro passatempo que exija algum esforço mental.
• Aprenda a tocar um instrumento musical.
• Faça exercícios físicos pelo menos quatro vezes por semana.
• Caminhe ao ar livre. Assim, levará o seu cérebro a passear.
Cinco coisas que prejudicam o cérebro
• Inactividade física.
• Inactividade mental.
• Passar longas horas diariamente em frente da televisão.
• Assistir a novelas e outros programas de baixa qualidade na televisão.
• Drogas de qualquer tipo, incluindo cafeína, tabaco e álcool.
“O ser humano é capaz de manter a actividade das células cerebrais durante toda a vida, conservar bom raciocínio mesmo na velhice”, informa Fátima Christo. Há diversos casos de pessoas com 90, 100 anos, que continuam a ter bom raciocínio e a lembrarem-se das coisas. Exercícios de raciocínio não são o único factor importante para o bem-estar do cérebro. É necessário também que a pessoa se sinta sempre útil, caso contrário, pode ficar deprimida. E quando há doença, mesmo com estímulo, o cérebro não responde.

Neusa Pinheiro
Jornalista

13.8.13

O Relógio Parou

Quando o ciclo menstrual atrasa, as mulheres, normalmente, assustam-se, achando que estão grávidas ou que há algo de errado com a sua saúde. Mas nem sempre há razão para o medo. Segundo o ginecologista Amarildo Ramalho, “é normal ter até três ciclos menstruais irregulares por ano. Isso não é doença”. O problema começa quando há ausência regular da menstruação durante mais de três meses seguidos. Esse transtorno é chamado amenorreia. Nesse caso, o motivo pode ser desde uma gravidez até outros problemas, como stresse, menopausa precoce, desvios hormonais, disfunções ováricas – como a síndrome de ovários policísticos – e distúrbios da hipófise (glândula cerebral responsável pela prolactina, substância produtora do leite materno). Deve ressaltar-se que essa falha no ciclo menstrual não é uma doença em si, mas sim o sintoma de que algo está errado no organismo, e deve ser descoberto e tratado.
In Vida & Saúde

10 Hábitos Saudáveis... Para Ajudar a Viver Até aos 100!
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O factor mais importante que determina como podemos envelhecer com saúde, não são tanto os nossos genes mas o nosso estilo de vida. Não acredita? 
Num estudo publicado no British Medical Journal, que englobou 20 000 britânicos, conclui-se que podemos cortar o nosso risco de AVC para metade, fazendo estas três coisas: praticar exercício físico 30 minutos por dia, comer 5 porções diárias de fruta e vegetais, e evitar o tabaco e o álcool. 
Mas se estas atitudes são óbvias para quem quer envelhecer bem, os investigadores concluíram que os centenários tendem a ter em comum certos traços na forma como comem, como se movem e como lidam com o stresse – atitudes que podemos copiar se quisermos melhorar a forma como envelhecemos. 
Então, vejamos: 
1. Não se reforme! “A evidência mostra que em sociedades onde as pessoas param de trabalhar abruptamente, a incidência da obesidade e de doenças crónicas dispara após a reforma”, afirma o Dr. Luigi Ferrucci, especialista em envelhecimento. Mas na região de Chianti, na Itália, que tem uma alta percentagem de centenários, as pessoas, depois de deixarem o trabalho da sua vida, gastam a maior parte dos seus dias trabalhando nas suas pequenas fazendas, cultivando as suas uvas e os seus vegetais. 
2. Lave cuidadosamente os dentes todos os dias. Isso pode manter as suas artérias muito saudáveis. A lavagem cuidadosa dos dentes reduz as bactérias causadoras de doenças da gengiva e que, entrando na corrente sanguínea, produzem inflamação nas artérias e são um factor acrescido de doenças cardíacas. 
3. Mexa-se! Segundo o Professor Jay Olshansky, autoridade americana na área do envelhecimento, “o exercício é a única real fonte de juventude que existe”. Muitos estudos documentam a capacidade do exercício físico para melhorar o humor e a acuidade mental, o equilíbrio, a massa muscular e a resistência dos ossos. 
4. Coma um pequeno-almoço com cereais ricos em fibra. Ajuda as pessoas mais velhas a manterem todo o dia níveis estáveis de açúcar no sangue, com menos probabilidades de terem diabetes, conhecido acelerador do envelhecimento. 
5. Durma pelo menos seis horas. Dormir é uma das mais importantes funções do organismo para regular e curar as células. 
6. Consuma alimentos completos, não suplementos. Existem fortes evidências de que as pessoas que têm altos níveis sanguíneos de certos nutrientes, obtidos a partir da alimentação – selenium, betacaroteno, vitaminas C e E – envelhecem muito melhor e têm um nível mais baixo de declínio cognitivo. Infelizmente, não há nenhuma evidência de que a ingestão de suplementos com estes nutrientes possa produzir o mesmo efeito antienvelhecimento. 
7. Procure ser menos stressado. Há estudos que dizem que os centenários são menos propícios a interiorizar e a persistir nas suas preocupações. 
8. Viva como os Adventistas do Sétimo Dia. Os americanos que se identificam como Adventistas do Sétimo Dia têm uma expectativa média de vida de 89 anos, cerca de uma década mais do que o americano médio. Um dos princípios básicos desta denominação religiosa é que é importante cuidar do nosso corpo que nos é emprestado por Deus, o que significa não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas, nem exagerar nos doces. Os adventistas praticantes advogam uma dieta vegetariana baseada em frutos, vegetais, leguminosas e oleaginosas, acompanhada de uma prática abundante de exercício físico. Também dão uma grande importância aos sãos relacionamentos familiares e comunitários.
9. Seja uma criatura de hábitos. Segundo o Prof. Olshansky, os centenários tendem a viver vidas muito rotineiras, comendo a mesma dieta e tendo os mesmos hábitos durante toda a vida. Deitar e levantar sempre às mesmas horas é outro hábito imprescindível para manter o equilíbrio do corpo ao longo dos anos, que é fundamental para manter as defesas activas contra as infecções. 
10. Tenha bons relacionamentos. Ter contactos regulares com os seus entes queridos e com os amigos ajuda a evitar a depressão, que pode levar a uma morte prematura (como o caso dos viúvos e viúvas idosos). Alguns psicólogos dizem mesmo que um dos maiores benefícios que as pessoas idosas obtêm do exercício físico é o poderem caminhar com um colega ou participarem numa aula de exercício físico colectivo. 

* U.S. News/ S&L

Os 7 mandamentos das férias

Chegaram as férias escolares! As praias enchem--se de veraneantes, o trânsito para o trabalho diminui pela manhã e ao fim da tarde.
No final deste ano lectivo, ofereci a cada um dos meus alunos uma lista dos sete mandamentos a observar nas férias do Verão. Os mandamentos não estão dispostos de acordo com nenhuma ordem especial. Decidi dar-vos a mesma lista e desejar que se divirtam muito nesta época do ano.
1. Cuida do teu corpo
Está calor, mas não abuses dos gelados nem dos refrescos. Alimenta-te de forma equilibrada e faz exercício físico regularmente.

2. Tem cuidado com o Sol
O Sol traz alegria, mas também te pode dar dores de cabeça – literalmente! Usa sempre chapéu para protegeres a cabeça, não te esqueças do protector solar, protege os olhos com uns óculos escuros e bebe muita água. Evita ficar ao Sol nas horas de maior calor.
3. Acorda cedo
As férias são demasiado boas para as passares a dormir. Acorda cedo para teres tempo para aproveitar o dia. Ao mesmo tempo, manténs o teu horário de sono normal, e não estranharás quando regressares à escola. Mas não te deites tarde, ou então hás-de sentir cansaço durante todo o dia.
4. Sai para brincar e/ou passear
Não abuses da consola de jogos ou da televisão. Sai de casa e apanha os raios de Sol que te ajudarão a crescer mais saudável.
5. Passa tempo com a família e os amigos
Que tipo de prazer haverá nas férias se não estiveres com aqueles de quem mais gostas e que mais gostam de ti? 
6. Vai para fora
Inscreve-te num acampamento de Verão ou passa uma semana ou duas em casa de uns tios afastados. Aproveita e conhece amigos novos.
7. Não deixes de aprender
Reserva algum tempo para fazeres exercícios escolares que evitem que te esqueças do que aprendeste durante o ano. Aproveita e visita museus e exposições, ou outros locais onde possas aprender coisas novas.

Luís Miguel Santos

8.8.13

COMPLICAÇÕES CARDIOVASCULARES de APNEIA DO SONO

Está estimado que a apneia do sono afecte entre 2-4% da população portuguesa, ou seja cerca de 400 mil portugueses.
Geralmente é desconhecida da maior parte da população e mesmo por vezes subavaliada pela classe médica. É um problema que afecta principalmente os indivíduos obesos com mais de 35 anos, principalmente do sexo masculino, sendo muito frequente nos indivíduos com roncopatia (que ressonam muito). Acontece predominantemente nos sedentários e fumadores.

O que é a apneia do Sono?
A apneia do sono, também conhecida como síndroma da apneia obstrutiva do sono (SAOS), é um distúrbio que ocorre durante o sono, em que há pausas respiratórias muitas vezes sem que o indivíduo se aperceba, e que poderão ser notadas pelo companheiro/a. Este nota que ele pára intermitentemente de respirar, faz pausas mais ou menos longas.
Isto geralmente ocorre porque há um colapso repetido das vias aéreas superiores, da via aérea faríngea. O doente não consegue respirar porque o ar não passa, e apesar de fazer um grande esforço muscular, não consegue ventilar, pelo que entra em apneia ou hipopneia. A apneia pode não ser completa, não existindo uma obstrução total, mas apenas parcial ao fluxo aéreo. Nas apneias completas geralmente é necessário um despertar, que pode ser total ou não, consciente ou não, para restabelecer a permeabilidade da via aérea e reassumir a ventilação.
Estes indivíduos têm, assim, uma interrupção repetida do seu sono durante a noite, vivendo em permanente carência de sono, pelo que andam sempre sonolentos, acordam cansados, e adormecem frequentemente durante o dia assim que param um pouco. Esta sonolência diurna pode levar até ao adormecimento em situações críticas, como em condução ou a trabalhar com equipamentos perigosos.
A gravidade da situação depende do número de apneias e hipopneias por hora de sono e da sua duração, porque podem ser mais ou menos prolongadas.

A influência da SAOS
As horas de sono são absolutamente necessárias para o bom funcionamento do nosso corpo. Há uma necessidade absoluta de todos os nossos órgãos “dormirem”, “hibernarem”, baixarem a níveis mínimos de funcionamento, para no dia seguinte estarem revigorados e aptos para serem levados a níveis máximos se for preciso.
Quando existem apneias, a ventilação diminue, pelo que diminuem os níveis de oxigénio no sangue, os órgãos são mal oxigenados e entram em hipóxia.
Estas hipóxias repetidas impedem que os órgãos funcionem a níveis mínimos durante o sono.
As complicações mais descritas da SAOS são a hipertensão arterial e as doenças cardiovasculares.
A pressão arterial cai normalmente durante o sono, pelo que a tensão arterial é acentuadamente menor de noite que durante o período de vigília.
Os estudos realizados em doentes com SAOS, vieram demonstrar que a pressão aumenta em cada evento obstrutivo, havendo múltiplos picos de pressão arterial ao longo das diversas apneias. O tónus simpático nestes doentes também está aumentado.
Os indivíduos com SAOS têm frequentemente hipertensão arterial, que pode ser de difícil controlo. A SAOS é, por vezes, a única causa do difícil controlo da mesma com a medicação. A pressão arterial média nocturna está mais elevada nestes indivíduos, e pode estar mesmo invertida, ser mais alta de noite do que de dia – é o chamado padrão “não-dipper”.
Os padrões “não-dipper” estão associados a problemas cardiovasculares, por vezes graves, como uma maior prevalência de enfarte do miocárdio e de acidente vascular cerebral (AVC).
Sabe-se que existe uma forte associação entre AVC e SAOS, havendo uma clara relação entre a gravidade do síndroma de apneia e o AVC. Os AVC são cerca de 60% mais prevalentes nos doentes com índices de apneia mais graves, em relação aos com índices mais ligeiros. Depois desencadeia-se um ciclo vicioso nestes doentes, porque o próprio AVC diminue o tónus da musculatura faríngea e o controlo ventilatório e é factor desencadeante de apneias nocturnas.
Também a SAOS tem uma forte relação com a doença cardíaca. Os efeitos agudos da apneia do sono, a hipóxia, a hiperpneia compensadora, a activação simpática, levam a isquémia do miocárdio (o músculo cardíaco). Por outro lado, nos doentes que já têm doença aterosclerótica das coronárias, a isquemia pode ter consequências mais graves e desencadear um enfarte do miocárdio.

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O tratamento dos casos graves faz-se à custa do uso, durante a noite, de um aparelho respiratório, uma máscara nasal que ventila o doente atravésde pressão positiva permanente, que contaria o colapso das vias respiratórias.

Estudos diversos vieram realmente demonstrar uma elevada prevalência de SAOS em doentes sobreviventes de enfarte do miocárdio, sendo que a gravidade das apneias tem uma relação com o prognóstico nestes doentes, sendo a mortalidade muito mais elevada no grupo com índice de apneias mais grave.
Por outro lado, os indivíduos com SAOS têm frequentemente síndroma metabólica, com obesidade, hipertensão arterial, dislipidémia, hiperglicémia ou diabetes, alterações da coagulação. Tudo isto também contribue para uma taxa elevada de doença coronária e isquemia do miocárdio nestes indivíduos.
Também a SAOS tem uma forte relação com a presença de arritmias cardíacas nocturnas, podendo estas ser mesmo muito graves, e levar à morte súbita.
Todos estes aspectos nos fazem pensar na gravidade que pode representar a síndroma da apneia obstrutiva do sono e na necessidade de a prevenir.

Factores de risco
Como já foi referido, esta patologia predomina nos indivíduos obesos, sedentários e fumadores, principalmente nos homens com estas características.
A obesidade leva a alterações da anatomia da via aérea superior e da função dos músculos faríngeos, sendo claramente um factor de risco de SAOS.
A roncopatia é a fase inicial da doença, e muitas vezes coexiste com ela.
Os indivíduos obesos que ressonam muito têm claramente um risco acrescido de SAOS e os seus companheiros devem estar alertados para identificar o problema, principalmente se eles têm as queixas que foram referidas de cansaço permanente e sonolência diurna.
Alguns estudos vieram demonstrar que 50% dos homens com obesidade mórbida (com índice de massa corporal médio de 45Kg/m2) têm em média mais de 30 episódios de apneia e hipopneia durante o sono.
O perímetro do pescoço e a relação cintura-anca foram identificados como os melhores predictores de apneia do sono.
O facto de haver uma autêntica epidemia de obesidade, faz temer que o problema da apneia do sono venha a agravar-se no futuro.
A perda de 10% do peso corporal, diminue o número de apneias nestes doentes em cerca de 20-25% e diminue significativamente o risco cardiovascular.
Todos os nossos esforços devem assim ser centrados na redução do peso, através de uma dieta equilibrada, e do aumento do exercício físico diário.

Para além do peso...
O tratamento dos casos graves faz-se à custa do uso, durante a noite, de um aparelho respiratório, uma máscara nasal que ventila o doente através de pressão positiva permanente, que contaria o colapso das vias respiratórias, é o CPAP. Os benefícios do uso destes aparelhos são notórios quer em termos de redução dos sintomas, quer em relação aos parâmetros de oxigenação sanguíneos, quer em relação ao prognóstico.
O inconveniente deste equipamento é para o companheiro/a, uma vez que o aparelho é muito barulhento, não compensa o deixar de ressonar, e obriga frequentemente o companheiro a mudar de quarto para conseguir dormir.
O tabagismo também tem uma relação forte com a prevalência de SAOS.
A cessação tabágica diminue de forma drástica o número de apneias nestes doentes.
O custo do tabaco é enorme na Sociedade, e também na sociedade portuguesa, estimando-se que seja responsável por 11% das mortes. O tabaco está associado a bronquite crónica, enfisema pulmonar, cancro do pulmão, doença cardíaca, enfarte do miocárdio, AVC, doença vascular periférica, e também à síndroma da apneia do sono.
O parar de fumar é, assim, fundamental também para estes indivíduos, pelo que devem ser incentivados a deixar de fumar e ser encaminhados para os diversos programas de cessação tabágica.
Mais importante que curar a patologia, é evitá--la, não fumando, mantendo um peso dentro da normalidade, praticando exercício físico, fazendo uma alimentação equilibrada e pobre em gorduras e calorias.
Todos nós temos o dever de olhar para nós próprios, para o nosso corpo, de estar bem com ele, de identificar os erros que estamos a cometer e de os corrigir a tempo.

Bibliografia
1 – Patel, S.R. and Fogel, R.B. Síndroma da Apneia Obstrutiva do Sono. Em Obesidade e Doença Cardiovascular. Euromédice, Edições Médicas L.da, 2006
2 – Harman EM, Wynne JW , Bloc k AJ. The effect of weight loss on sleep disordered breathing and oxygen desaturation in morbidly obese men. Chest 1982; 82(3): 291-294.
3 – Olson LG, et al. A community study of snoring and sleep-disordered breathing symptoms. Am J Resp Crit Care Med 1995; 152(2):707-710.
4 – Logan AG et al. High prevalence of unrecognized sleep apnoea in drug resistant hypertension. J Hypertens 2001; 19(12): 2271-2277.
5 – Peker Y et al. An independent association between obstructive sleep apnoea and coronary artery disease. Eur Resp J 1999; 14(1) 179-184.
6 – Dyken ME et al. investigating the relationship between stroke and obstructive sleep apnoea. Stroke 1996; 27(3): 401-407.
7 – Resnick HE et al. Diabetes and sleep disturbances: findings from the Sleep Heart Health Study. Diabetes care 2003; 26(3):702-709.

Madalena Carvalho
Cardiologista

3.8.13

GOTAa prevenção é melhor do que a CURA

 A gota é uma artrite comum causada por um aumento do ácido úrico no sangue, levando ao depósito de cristais nas articulações afectadas, maioritariamente no dedo polegar do pé. Os sintomas são dor lancinante aguda, extrema sensibilidade, vermelhidão, calor e inchaço. A vítima pode, até, ficar muito doente e com febre alta e calafrios. Ataques repetidos levam, geralmente, à erosão da cartilagem e do osso nas articulações. Além disso, se os níveis de ácido úrico na urina continuarem altos, poder-se-ão formar cálculos renais.
Embora qualquer pessoa esteja sujeita a desenvolver gota, ela tem sido chamada a doença dos homens ricos, uma vez que está associada a demasiada comida e álcool, e é muito mais comum nos homens do que nas mulheres. O ácido úrico é um sub-produto de alguns alimentos, por isso a obesidade e a alimentação imprópria aumentam o risco de gota. A maior parte das pessoas produzem demasiado ácido úrico, mas algumas não o eliminam convenientemente.
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A prevenção é melhor do que a cura
• Retire a carne vermelha da sua alimentação. É muito rica em purinas, que são metabolizadas no organismo e formam o ácido úrico. As aves e o peixe também contêm uma quantidade considerável de purinas.
• Tenha o cuidado de não ingerir demasiada couve-flor, amendoins, cogumelos, ovos, lentilhas, ervilhas e feijão, pois, em grandes quantidades, aumentam a produção de ácido úrico. A alimentação com níveis relativamente baixos em proteínas é benéfica.
• Elimine as bebidas alcoólicas. Elas aumentam a produção e reduzem a eliminação do ácido úrico. Os ataques agudos de gota são, muitas vezes, precipitados por uma ingestão excessiva.
• Não coma alimentos fritos ou com gordura que foi aquecida. Isso baixa os níveis de vitamina E, levando a um aumento da precipitação do ácido úrico.
• Beba muita água para aumentar a excreção do ácido úrico. É bom acrescentar à água um pouco de sumo de limão pois ajuda no processo.
• Certifique-se se algum medicamento que está a tomar é o responsável pelos níveis elevados de ácido úrico.
• Evite cafeína e alimentos com elevado teor de gordura, como bolos e folhados.
• Se estiver com excesso de peso, um programa de perda de peso, bem planeado, ajudará a baixar os níveis de ácido úrico.
• Aumente, na sua alimentação, a quantidade de aipo, morangos, cerejas, abacate e feijão-verde, pois ajudam a excretar o ácido úrico.
• Há várias tisanas que podem controlar os níveis de ácido úrico, na sua maioria por aumentarem a eliminação; as urtigas, o zimbro, os pés de cereja, o freixo, a folha de oliveira, a bardana, o alcaçuz e o harpago são alguns exemplos.

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Quando a gota ataca
As terapias médicas dependem, normalmente, de medicamentos anti-inflamatórios, mas estes têm, muitas vezes, efeitos secundários muito desagradáveis e, até, graves. Muitas pessoas não toleram este tratamento e, para outras, é contra-indicado devido a outros problemas de saúde co-existentes.
• Dê um banho de contraste à parte afectada, com 3 minutos de água quente e 1 minuto de água fria. Repita pelo menos 3 vezes, para melhorar a circulação e diminuir a inflamação e a dor. Para maximizar o efeito, este tratamento pode ser aplicado várias vezes durante o dia.
• Em seguida, aplique, na parte afectada, uma cataplasma de carvão activado ou de argila, para aumentar a excreção de ácido úrico.
• Coma apenas fruta fresca e vegetais durante alguns dias, incluindo os indicados acima.
• Beba entre um litro e meio a dois litros de água por dia, com sumo de limão.
• Aplique óleo de pimenta de Caiena (disponível em farmácias) para ajudar a aliviar a dor.
• O harpago não só ajuda a eliminar o ácido úrico, como também tem efeito anti-inflamatório, sem, contudo, causar a irritação gastrointestinal que os medicamentos anti-inflamatórios causam. É melhor tomá-lo em forma de cápsulas.
• A bromelaína (do ananás), a ulmeira, a uncaria (unha de gato), e o açafrão também possuem acção anti-inflamatória, mas requerem doses razoavelmente grandes para ajudar a aliviar a dor e inflamação da gota. Combinar dois ou mais agentes será benéfico.
Qualquer pessoa que tenha experimentado a dor de um ataque agudo de gota não hesitará em concordar que vale a pena fazer todos os possíveis para evitar essa forma de artrite. Mesmo no caso de sofrer de gota, muito pode ser feito para melhorar rapidamente a situação e minimizar a dor e o sofrimento.&

Marianne Ferreira

Médica