16.2.14

PENSAR BEM



Embora alguns exagerem, o adágio "querer é poder" tem muito de verdade. Por exemplo, qualquer atleta sabe que, para bater um recorde, não basta preparação física apenas, mas o cultivo da mente e também do pensamento. De igual modo, muitas das coisas que fazemos, das emoções que sentimos e até das doenças que sofremos têm a sua origem nos pensamentos. 
O ambiente (pessoas, lugares e circunstâncias), a personalidade (otimista, suspeita, agressiva, etc.) e as recordações e experiências do passado são as molas propulsoras que provocam os nossos pensamentos. Tais elementos estão relacionados com os efeitos, a origem e a influência dos pensamentos. Sendo assim, cada pessoa pode controlar o seu pensamento e dirigir a sua vontade para obter ou não uma reação final correspondente. É pelo conteúdo do pensamento e pela forma de o processar que se obtêm resultados diversificados.

Pensamento e conduta 
Com exceção das reações automáticas ou dos atos repetidos por questão de hábito, as condutas têm origem nos pensamentos que as precedem. Consideremos três situações: 
1. Antes de chegar à agência imobiliária, o Maurício não pensava em comprar um imóvel; mas o ambiente, a cortesia dos vendedores, as lindas fotografias dos apartamentos e as facilidades de pagamento animaram-no a considerar essa possibilidade. Foi para casa e meditou sobre o assunto, imaginou a mudança para uma residência maior e com mais segurança, com escola no bairro para as crianças e transportes quase à porta do prédio para o centro da cidade. Dois dias depois, assinou o contrato. 
2. A Eloísa foi tomar um lanche com duas antigas colegas de faculdade. Elas divertiram-se muito ao falar sobre coisas daquele tempo e da vida atual. Ao voltar para casa, a Eloísa comparou a sua vida com a das suas amigas, considerou todos os detalhes, relembrou o passado e concluiu que elas eram mais felizes. Imediatamente, ela foi dominada por um misto de tristeza e deceção ao pensar nas suas próprias conquistas. Esse estado de ânimo acompanhou-a durante vários dias. 
3. A Vitória tinha um bom relacionamento com todas as pessoas. No entanto, meses atrás, ela tinha tido uma discussão desagradável com o seu irmão e, por isso, eles não se falavam. Ela não quis fazer as pazes, porque sofreu muito com a ofensa dele. Quando relembrava o momento do desentendimento, ficava irada, com o ritmo cardíaco muito alterado e sentia náuseas. 
Nos três casos, há uma clara relação entre pensamento e conduta (ou estado de ânimo). O que teria ocorrido se o Maurício, a Eloísa e a Vitória tivessem mudado o rumo das suas reflexões? Provavelmente, 
a conduta de cada um teria sido muito diferente. 
De qualquer maneira, todos somos donos dos nossos pensamentos. E como tal, com maior ou menor dificuldade, podemos nutri-los, dirigi-los, expandi-los, reduzi-los ou rejeitá-los.

amigos_75638647.jpgAutoajuda 
Controle os seus pensamentos 
Controlando os seus pensamentos, evitará condutas impróprias, agirá de maneira mais adequada e terá mais saúde física e mental. Definitivamente, ao controlar os seus pensamentos, estará a promover a sua própria felicidade. 
Como identificar os seus pensamentos negativos? Como saber se eles o levarão a condutas ou a um estado de ânimo indesejável? 
Para evitar pensamentos impróprios, você deve adotar um estilo de vida orientado por princípios e valores universais, como honestidade, responsabilidade, justiça, respeito para com os outros, integridade e veracidade. 
Os que são guiados por esses ideais, acabam por alimentar, de forma natural e espontânea, pensamentos positivos e edificantes, alcançando os resultados benéficos correspondentes. 
Controlo 
Como medida preventiva, é bastante útil identificar e controlar emoções e pensamentos que prejudicam. Se quiser evitar qualquer conduta indesejável (aborrecimento com a família, não conseguir concentrar-se, ou ficar nervoso), experimente fazer o seguinte: 
Prepare um registo, de dois ou três dias, relatando cinco ou seis situações de cada dia. 
Escreva as situações, as emoções e os pensamentos. 
Consulte a lista de emoções negativas e positivas para saber quais são as emoções experimentadas. 
Esse exercício ajudá-lo-á a conhecer-se melhor e a exercitar-se no controlo dos seus pensamentos. Desenvolva emoções e pensamentos positivos e deixe de lado os negativos.

Mente positiva 
Em 2000, os estudiosos David Sobel e Robert Ornstein revelaram evidências dos benefícios do pensamento positivo, do otimismo e da sensação de controlo sobre algumas áreas da saúde: 
Sistema imunológico. A saliva humana contém substâncias químicas que nos protegem das infeções. Os níveis de proteção dessas substâncias são mais eficazes nos dias em que nos sentimos felizes e satisfeitos do que quando estamos tristes. 
Cancro. Um grupo de pacientes com cancro foi ensinado a pensar de forma positiva e relevante. Eles também aprenderam técnicas de relaxamento. O estudo mostrou que os anticorpos desses pacientes se tornaram muito mais ativos do que os dos pacientes que não tinham recebido essas instruções. 
Longevidade. Um grupo de idosos, residente num centro para pessoas de terceira idade, passou a ter liberdade para tomar pequenas decisões (tipo de refeição ao jantar, escolha de filme uma vez por semana, etc.). Agindo assim, eles ficaram mais satisfeitos e felizes. Após um ano e meio, o índice de mortalidade desse grupo foi 50% inferior ao dos que não tiveram nenhuma possibilidade de fazer escolhas. 
Curso pós-operatório. Uma análise da personalidade de doentes submetidos a cirurgia cardíaca dividiu-os em otimistas e pessimistas. Os otimistas recuperaram mais rapidamente, sofreram menos complicações e voltaram mais cedo às suas atividades. 
Saúde em geral. Participantes de uma pesquisa elaboraram uma lista de acontecimentos positivos e negativos que, a seu ver, lhes sobreviriam nos anos seguintes. Dois anos mais tarde, a saúde de todos foi examinada e descobriu-se que, comparados aos de visão negativa, os otimistas quanto ao futuro apresentavam menos sintomas de enfermidades. 
Nem tudo se resolve com o pensamento 
O pensamento positivo é uma opção excelente para conservar a saúde mental e alcançar metas. No entanto, não podemos crer que tudo se resolve apenas com o pensamento. Relembre as seguintes limitações: 
l. O otimismo é um tanto utópico em circunstâncias como a morte de um familiar, uma catástrofe natural ou um diagnóstico médico indicando um provável cancro. 
2. Na prática, é muito difícil, senão impossível, ter um pensamento otimista quando estamos muito amargurados ou em situação crítica. 
3. O pensamento positivo pode tornar-se enganoso e, em alguns casos, fazer com que percamos de vista certas realidades tristes. 
Às vezes, é necessário saber adaptar-se ao sofrimento. Entretanto, podemos esperar (o tempo encarrega-se da cura), confiar (a fé é um grande apoio) e beneficiar da presença de alguém querido.

Julián Melgosa 
Doutor em Psicologia

ALIMENTAÇÃO MITO OU REALIDADE



Estamos em pleno século XXI e a nossa sociedade, apesar de todos os avanços tecnológicos e científicos no campo da nutrição, continua dividida quanto a um tema que já vem sendo debatido há muito: um regime alimentar à base de alimentos de origem animal será de valor nutritivo e biológico superior a um regime baseado em alimentos de origem vegetal? Por detrás desta situação está a ideia de que a proteína de origem animal é de qualidade superior e, portanto, indispensável a uma boa alimentação. Quem segue uma alimentação isenta de alimentos de origem animal teria “carências nutricionais” que prejudicariam a sua saúde. Inclusivamente, há pessoas que pensam que as crianças precisam de alimentos de origem animal para se desenvolverem de forma equilibrada e saudável.
Bom, como há defensores de ambos os lados, vamos guiar o estimado leitor numa caminhada pelas “provas” existentes em favor de um ou do outro regime, a fim de que possa fazer a sua escolha, certamente a melhor para si e para os seus, de forma livre e informada.

À Procura de comida a sério
“Peixe não puxa carroça” é um provérbio português antigo que muitas vezes é usado para fazer troça das pessoas que não comem carne. Mas a verdade é que nem os bois nem os burros comem carne e conseguem puxar e carregar cargas pesadas! Há uma ideia generalizada de que os seres humanos precisam de comer carne para serem saudáveis.
Não podemos ignorar que a proteína é vital para a nossa alimentação. As moléculas que a formam são constituídas por aminoácidos que estão na base da construção, do funcionamento e da recuperação de todas as células do nosso organismo. Daí a importância de ingerirmos proteína de alto valor biológico, ou seja, proteína que contenha o máximo de aminoácidos possível. Dos vinte aminoácidos necessários para o funcionamento e restauração do nosso organismo, doze são fabricados pelo nosso corpo e oito são ingeridos a partir de fontes exteriores, na alimentação, sobretudo. São os chamados “aminoácidos essenciais”. E é aqui que surge a questão: Serão os alimentos de origem animal uma fonte de proteína de valor biológico superior à dos alimentos de origem vegetal?






Naverdade, se compararmos o valor nutritivo de um alimento cárneo isolado (um bife, por exemplo) com o valor de um alimento vegetal isolado (a batata, por exemplo), a carne é mais nutritiva e uma boa fonte de proteína; mas se tomarmos os alimentos em conjunto, a coisa muda de figura. Vejamos, no gráfico em baixo, o valor biológico (em aminoácidos essenciais) de alguns alimentos de origem vegetal. Nesse gráfico, partimos da hipótese (muito improvável!) de uma pessoa comer apenas um alimento vegetal dos onze que escolhemos até perfazer 2500 calorias diárias.
Mas, como com todas as coisas boas, podemos fazer mau uso das proteínas, quer ingerindo alimentos de má qualidade e, portanto, de pobre valor biológico, quer ingerindo-as em excesso, 
e isso traz consigo alguns problemas.
Por um lado, a maior parte das pessoas exagera nas suas necessidades de proteína. A Ingestão Diária Recomendada (IDR) são uns generosamente adequados 45 a 60 gramas. No entanto, a maioria das pessoas com um estilo de vida ocidental consome duas a três vezes essa quantidade de proteína de origem animal. Essas quantidades excessivas de proteína são problemáticas para os rins, promovem a gota e, dado que acidificam o sangue, fazem com que o cálcio seja retirado dos ossos para anular essa acidez. No gráfico em cima vemos o que acontece quando se ingere proteína em excesso.
Portanto, a ingestão excessiva de proteína é um dos fatores que leva à osteoporose.
Um problema ainda maior é a dose exagerada de gordura (principalmente saturada) e de colesterol. As pesquisas científicas têm implicado, de forma claríssima, uma alimentação rica em gordura e colesterol como a principal culpada das doenças assassinas ocidentais. E os alimentos que nos estão a fazer mal são, sobretudo, produtos de origem animal, como a carne, as aves, os ovos e os laticínios.
O problema é que, embora o corpo humano consiga alimentar-se de alimentos de origem animal, falta-lhe a proteção contra grandes quantidades de gordura e de colesterol. A gordura e o colesterol em excesso amontoam-se na corrente sanguínea e começam a aderir às paredes dos vasos sanguíneos. Gradualmente, com o passar do tempo, formam-se placas, as paredes das artérias engrossam e endurecem, as artérias ficam mais estreitas e a aterosclerose instala-se.
Em consequência, o fornecimento de sangue aos órgãos vitais diminui ou desaparece, e está montada a cena para muitas das doenças assassinas de hoje, como as doenças cardíacas, a hipertensão, os AVCs, a diabetes e vários tipos de cancro.
No gráfico em baixo vemos o efeito da mudança de uma alimentação rica em proteína animal para uma alimentação de origem vegetal, no que respeita aos níveis de colesterol no sangue.

Sempre se comeu carne…
Vamos olhar para o início do século passado. Não tínhamos muitas destas doenças relacionadas com a aterosclerose porque, em 1900, não comíamos carne várias vezes por dia, como fazemos agora. Naquela altura, cerca de 70% da nossa proteína vinha de alimentos vegetais. Hoje, obtemos 70% de produtos de origem animal, carregados com toxinas, gordura saturada e colesterol.
Naquele tempo, também criávamos os nossos animais de maneira diferente. As galinhas esgravatavam nos quintais e os porcos rebolavam-se nas poças de lama. Mas essas quintas idílicas e felizes foram substituídas pelas quintas-fábrica de hoje. Cria-se o maior número possível de animais no menor espaço possível e com a mínima despesa possível. A maior parte dos animais usados na alimentação hoje são criados em confinamento ou presos em jaulas, sem a prática de qualquer exercício. A carne desses animais pode conter até duas vezes mais gordura do que a de animais criados no campo ou em liberdade numa quinta normal.
Os animais ingerem e armazenam no seu corpo produtos químicos provenientes dos fertilizantes e dos pesticidas usados na sua alimentação. Hormonas, antibióticos e outros produtos químicos também são administrados de forma rotineira a animais em sistemas de confinamento intensivo para disfarçar o stresse e a doença e para acelerar o crescimento. Os resíduos desses poluentes acabam por chegar à cadeia alimentar. 
Para quem quiser ver as evidências, o grosso da literatura científica acusa a alimentação como a principal culpada dos problemas de saúde de hoje. E os principais acusados são os alimentos de origem animal.
Mas a mensagem está lentamente a passar: Hoje, nalgumas zonas do mundo, já se consome menos carne de vaca, ovos, leite gordo, queijo e manteiga do que há 10 anos, mas o consumo de carne ainda está a aumentar em países como Portugal e o Brasil.

Questão de estilo de vida
Milhões de pessoas em todo o mundo estão a viver bem comendo proteínas de origem vegetal. Eis algumas vantagens:
Vantagens para a Saúde
As pessoas que não comem alimentos de origem animal têm:
• Menos ataques cardíacos e AVCs.
• Menos problemas de excesso de peso.
• Menos colesterol.
• Menor pressão arterial.
• Menos diabetes.
• Menos hemorroidas, menos doença diverticular e melhor regularidade intestinal.
• Menos cancro da mama, da próstata e do cólon.
• Ossos mais fortes, menos osteoporose.
• Menos pedras no rim e na vesícula, e menos doenças renais e artrite gotosa.
• E tendem a viver mais tempo!
Vantagens Ambientais
A agropecuária é, no mundo, a indústria que mais destrói o ambiente.
Mudar para uma alimentação sem carne:
Pouparia água: São necessários cerca de 100 litros de água para produzir meio quilo de trigo, mas são necessários 100 000 litros
para produzir meio quilo de carne de vaca.
Protegeria as florestas tropicais: Produzir apenas meio quilo de hambúrgueres na Costa Rica envolve a destruição de 6 metros quadrados de floresta tropical, necessários para cultivar o alimento destinado aos animais.
Salvaria árvores: As florestas são cortadas para cultivar cereais destinados à alimentação de animais. Cada comedor de carne que muda salvará 4000 metros quadrados de árvores por ano.
Manteria a água limpa: Anualmente, o funcionamento dos espaços confinados para gado produz, por si só, mil milhões de toneladas de dejetos animais – uma fonte importante de poluição da água.
Vantagens para a Produção Mundial de Alimentos
As evidências contra a carne e contra outros produtos de origem animal estão a acumular-se à medida que as pesquisas no campo da nutrição confirmam que uma alimentação construída em volta de alimentos integrais de origem vegetal é não só adequada, mas também superior.
Os seres humanos não têm o instinto de matar.
Estamos mais preparados para salivar em frente de um cacho de uvas frescas do que diante de um naco de carne crua. É reconfortante saber que uma alimentação composta por fruta, vegetais, leguminosas e cereais está perfeitamente adaptada às nossas necessidades – anatómica, fisiológica e instintivamente.
Mas não é fácil examinar os nossos hábitos alimentares de toda a vida e descobrir que estão errados. Mas, se formos sábios, fá-lo-emos. E, se formos sábios, não olharemos para os matadouros nem para as indústrias em busca de comida a sério. Os sábios entre nós encontrarão comida a sério nas hortas e quintas da nossa terra.

Sumário
• A criação de animais para abate desperdiça meios alimentares que deviam ser usados para nutrir os famintos deste mundo e
esgota de forma dramática as nossas fontes de produção de alimentos, como o solo fértil e os lençóis freáticos.
• A criação de animais para abate devasta as florestas e outros habitats de vida selvagem, e despeja mais poluentes nos nossos lagos e rios do que todas as outras atividades humanas combinadas.
• A criação de animais para abate nas quintas-fábrica de hoje envolve o confinamento, o excesso de animais, a privação, a mutilação e outros abusos grosseiros, e a morte de perto de 9 mil milhões de animais inocentes e que sentem.
• O consumo de gordura de origem animal e de carne tem sido claramente relacionado com uma elevada incidência de doenças cardíacas, AVCs, cancro e outras doenças crónicas que incapacitam e matam mais de um milhão de pessoas por ano, nos países de língua oficial portuguesa do mundo.

Eliminando o hábito de comer carne
Muitas pessoas que fizeram da carne e dos laticínios o centro das suas refeições durante anos sentem falta de alguma coisa quando tentam organizar refeições sem carne. Durante algum tempo, as suas refeições parecem incompletas sem os alimentos cárneos.
Pode satisfazer o seu apetite comendo uma alimentação isenta de carne. Pode levar algum tempo a ajustar-se, mas este modo de comer acabará por se tornar aceitável e, depois, preferível. Se o prezado leitor desejar fazer a escolha de seguir um regime mais saudável, as receitas que lhe apresentamos todos os meses serão, certamente, uma ajuda preciosa para a preparação de refeições saborosas e nutritivas, isentas de alimentos de origem animal e seus derivados.

Seleção de alimentos
Mas também pode pôr em prática a sua imaginação e criar a sua própria ementa para um dia. Nesse caso, aproveite as orientações que lhe proporcionamos e construa as suas refeições à volta das categorias alimentares indicadas.

E agora decida, amigo leitor. Pelo melhor.
A sua saúde e a dos seus agradece!

Manuel Ferro
Redação S&L

*Adaptado de Hans Diehl, Aileen Ludington, Health Power, pp. 110-113. Gráficos adaptados de Neil Nedley, Proof Positive, pp. 147-166.

29.1.14

7 Passos Para Viver Melhor



Há estudos antigos e atuais que demonstram que o ser humano, biologicamente, tem potencial para viver até aos 120 anos. Por que razão havemos de viver apenas metade disso?
Em vez de analisar todos os fatores que diferenciam os países em vias de desenvolvimento dos países desenvolvidos (infraestruturas, saneamento, alimentação, orientação em saúde), e que por certo têm influência no índice de idade, quero tratar do sabotador principal: a degeneração causada pelas doenças.
Mesmo os poucos que ultrapassam a idade que os índices estatísticos nos apresentam sofrem de 
doenças crónicas, como a diabetes, a hipertensão, 
a obesidade, o reumatismo e as enxaquecas.

Mudanças de hábitos
As doenças não surgem por acaso, como balas perdidas às quais todos estão sujeitos. Elas são consequências dos hábitos de vida. A boa notícia é que, mesmo depois de diagnosticadas, a maioria pode ser curada. A desintoxicação orgânica e a mudança de hábitos nocivos para hábitos saudáveis têm um poder curador inimaginável. Talvez já tenha tentado mudar alguns hábitos e constatado que parece impossível. Realmente, é difícil mudar hábitos mantendo-se no mesmo habitat. O que fazer?
Primeiro, deve “quebrar” a força negativa do habitat. Faça o grupo familiar ou parte dele tomar consciência da conveniência e necessidade de mudar. É necessário companheirismo; sozinho torna-se mais difícil. Quase todos possuem algum mal crónico que consome tempo, dinheiro e alegria de viver, e com o qual convivem resignados porque ouviram dizer que é assim mesmo, que não tem cura. Na verdade, é possível melhorar muito e até curar-se de vários problemas de saúde a partir da alteração dos hábitos de vida que os “fabricam”.
Em segundo lugar, deve começar já. Decida, por exemplo, caminhar todas as manhãs (ou tardes, ou noites) a partir de hoje; ou substituir o jantar por frutas a partir de hoje. As decisões devem ser negociadas, principalmente se nem todos na família assumirem as mudanças e se elas afetarem os outros. De qualquer modo, é preciso a cooperação de todos, até porque todos se verão envolvidos e, finalmente, serão direta ou indiretamente beneficiados.
Não tenha medo do rótulo de “radical”. O mundo está cheio de fumadores, alcoólicos e obesos que passam cinco, dez, vinte anos “praticando o vício sem radicalismo”. Consequentemente, continuam a sofrer as suas consequências.
Em terceiro lugar, mantenha as suas conquistas. O pior tipo de dieta é aquele que prevê o fim de semana livre. A única possibilidade de conquistar uma saúde plena, seja em que tratamento for, é através de mudança. Nesse caso, não há mudança alguma: a pessoa reprime-se de segunda a sexta, na angustiante espera da liberdade do fim de semana. Então, come tudo o que deveria ter abandonado em prol da saúde, reforçando os velhos hábitos nocivos. Quando finalmente se cansar disso, atira tudo para o alto, e o sacrifício irá por água abaixo. Procure valorizar a compensação real, que é ter saúde, qualidade de vida e felicidade.

dormir_61341700.jpg
Longevidade com qualidade
Se utilizar os sete passos a seguir, poderá ter longevidade com qualidade de vida. Associe-se a alguém da sua família, ou a toda ela, e comece a mudança agora.
1. Durma mais cedo. O melhor dia começa pelo melhor sono. As horas que antecedem a meia-noite valem o dobro das horas da madrugada para o seu repouso. É nas primeiras horas da noite, se a pessoa estiver a dormir num ambiente escuro, que a hipófise lança na corrente sanguínea a hormona do crescimento. Essa hormona não tem a ver apenas com as crianças e os adolescentes, mas também com a reposição das perdas celulares e a regulação do metabolismo no adulto. Ir para a cama por volta das 21h00 é o ideal.
vegetariana_57658642.jpg2. Coma menos. Comer menos é um fator de longevidade comprovado cientificamente. Numa experiência com ratinhos dirigida pelo cientista Ron Hart para a Food and Drug Administration, órgão que controla a área da alimentação e dos medicamentos nos Estados Unidos, os que comiam 70% menos calorias viveram 50% mais do que os obesos. Isso representaria 32 anos a mais na média de longevidade.
Uma iniciativa saudável é substituir o jantar por frutas, o que está intimamente ligado ao fator descanso. Durante o sono, cai a intensidade do metabolismo, fazendo com que o processo digestivo que duraria três horas passe a durar até dez horas ou mais. Ou seja, ao despertar, ainda está a processar o jantar, em detrimento do seu descanso. Isso explica o cansaço, o mau humor, a dor de cabeça e o desânimo ao levantar. Consequentemente, afeta a sua longevidade.
É importante também substituir os lanches por sumos ou água. O estômago, como qualquer estrutura do organismo, precisa de descansar. Até o coração descansa: após o grande esforço da sístole, enviando sangue para todo o corpo, ele relaxa na diástole. São as fases dos batimentos cardíacos.
Acontece que, ao sentir o “vazio” no estômago, duas ou três horas após a refeição, a maioria das pessoas trata de o preencher com lanches, bolos, doces. A sensação de esvaziamento significa apenas que a digestão foi terminada e o bolo alimentar desceu para a absorção nos intestinos. É a hora de repouso para o estômago (pelo menos 2 horas), a fim de prover condições para o trabalho digestivo da próxima refeição.
O lanche impede o descanso, cansa o estômago e inflama-o. Esta é a maior causa das dores de cabeça e das enxaquecas frequentes. Beba água a cada hora e sumos nos intervalos das refeições.
exercicio_5886094.jpg3. Caminhe diariamente. Quem não se movimenta não dorme bem. O sono está ligado à fadiga física. Os habitantes das cidades sofrem de muita fadiga mental, que mantém o cérebro excitado, e não conseguem dormir bem. Caminhar todos os dias melhora o organismo todo, enquanto o sedentarismo o deteriora.
Estudos recentes demonstram que os efeitos do exercício físico duram apenas 24 horas no organismo. Portanto, aquelas duas ou três vezes por semana no ginásio não são o ideal. Além disso, os computadores dos grandes ginásios registam que os frequentadores que se exercitam todos os dias têm uma rotina mais rígida. O motivo é claro: eles formam um hábito tão constante como dormir, comer e trabalhar. Mas atenção: o melhor exercício é ao ar livre; a musculação praticada sem exercício aeróbico vale pouco.
sementes_80839456.jpg4. Use alimentos naturais e integrais. Na população em geral, há uma mania de ingerir proteínas, mas os alimentos mais saudáveis e de melhor relação custo-benefício para o organismo são os chamados reguladores das suas funções: frutas e vegetais crus. Custo-benefício aqui refere-se ao esforço de processar o alimento em relação ao ganho para o organismo.
Fuja dos alimentos refinados, pois eles roubam a saúde. O pão, os biscoitos e as massas de farinha branca, o arroz branco e o açúcar refinado necessitam de componentes para a sua digestão e assimilação, como cálcio e ferro, que lhes foram retirados. Como? Tirando do organismo. Coma alimentos naturais, no seu estado integral.
familia_54868609.jpg5. Aprenda a ceder, a sorrir e a cantar em família. Quase todos os idosos que vêm ao meu consultório cheios de doenças crónicas dizem que, quando olham para trás, a maioria das decisões que resultaram em desastres familiares foi por motivos tolos. Quanto mais laços rompidos, mais sofrimento, senso de culpa e problemas se arrastam pela vida fora. Aprender a ceder tem relação direta com a Regra Áurea: "faça aos outros o que deseja que lhe façam a si". Isso é tudo. Não adicione condições ou complementos.
A maior prova de maturidade é ter coragem de rir de si mesmo em público. Estimule os seus filhos a verem o lado engraçado da vida. E cante com eles. A sisudez dá gastrite. Em contraposição, o riso e o canto estimulam a produção de endorfinas, as hormonas que melhoram o funcionamento de todo o organismo.
emprego_3248515.jpg6. Realize-se com o seu trabalho. Aqui está a raiz dos grandes males dos nossos dias: um enorme contingente de pessoas passa a vida a fazer o que detesta por causa da necessidade do ganho. Descubra como gostar do seu trabalho ou mude de atividade.
Alguns executivos stressados agradecem a Deus a crise e o desemprego, porque assim foram “arrancados” de um tipo de vida suicida. Pressionados pelas circunstâncias, iniciaram um negócio que deu certo e que adoram fazer.
O problema é o sofrimento individual e familiar que o desemprego causa. Como evitar isso? Abra um espaço no redemoinho em que vive (correria, atrasos, pressões de todos os tipos), separando 45 minutos diários para analisar o que está a acontecer à sua volta: que oportunidades existem ou poderiam ser criadas para fazer o que gosta? Comece nas horas separadas para esse fim (não espere pelas “horas vagas”); quando estiver preparado, dê o salto.
rapariga_47799625.jpg7. Procure ter uma consciência tranquila. Muita gente que acredita possuir uma consciência tranquila possui, na verdade, um imenso “porão” na mente, para onde atira toda a lembrança traumática e os problemas não resolvidos, verdadeiras bombas de efeito retardado que vão explodir no momento mais indesejável.
É necessário abrir a “caixa-negra” do inconsciente, para compreender e corrigir distorções que geram bloqueios, dificuldades de comportamento, insucesso e doenças. Isso é possível com a ajuda da técnica de um profissional de psicologia.
A psicologia moderna tem-se tornado sensível à necessidade de soluções a curto prazo. A maioria não dispõe de tempo e dinheiro para longos anos de psicanálise. Sem desmérito da utilidade desse tipo de trabalho, há hoje profissionais que atuam com psicologia de resultados ou com a análise transacional, conduzindo os seus clientes, num curto período de tempo, a soluções satisfatórias.
Deve ser assinalado que não há consciência tranquila sem a paz interior que vem do relacionamento pessoal com Deus. A paz não é resultado apenas de um credo ou da visita semanal à igreja, mas do contacto diário com o Criador.

Elias Oliveira Lima
Diretor médico da Clínica-Nat (Brasil)

24.1.14

PARA UMA VIDA ABUNDANTE

... não é necessário comida abundante
INTRODUÇÃO
Parece um paradoxo, mas esta é a verdade crua dos números: morrem mais pessoas por excesso de comida do que por falta dela. Saber comer tornou-se não só numa questão de sobrevivência da espécie humana, como ainda numa problemática ética, com a qual se joga o respeito pela sustentabilidade ambiental e a biodiversidade.
Os padrões alimentares que são adoptados pelos povos, promovidos pela indústria da comunicação social, obrigam-nos a desenvolver uma atitude de alerta e crítica. 
Por outro lado, os modelos seguidos pela civilização actual relativamente aos processos de cura da doença e disfuncionalidade (tais como uma simples dor de cabeça) estão directamente relacionados,
na maior parte das vezes, com o tipo de alimentação seguida.
Estas são já razões suficientes para eleger a temática da alimentação no âmbito da promoção da saúde. 
Seria utópico desejar, neste artigo, cobrir todas as dimensões relacionadas com a alimentação. Não só não teríamos o espaço necessário para o fazer numa revista desta natureza, como ainda as várias questões que se levantam obrigar-nos-iam a uma discussão muito detalhada de aspectos que poderiam saturar o leitor.
Assim, optamos por nos centrarmos numa pergunta: Para viver abundantemente, como é que me devo alimentar? O desafio não é tarefa pequena: será possível encontrar em poucas páginas de texto uma orientação suficientemente segura que possa resistir “às modas” e salvaguardar o bem-estar?
O passado da nossa história foi marcado por lutas pela sobrevivência da espécie, numa engenhosa actividade para garantir a subsistência. Enquanto, em muitas partes do Planeta, a escassez marca a rotina da sobrevivência, no Ocidente, e em Portugal, abundam os alimentos.
No entanto, esta abundância não eliminou as preocupações em torno do que se come. Para muitos, comer de um modo saudável tornou-se num verdadeiro quebra--cabeças: são os morangos bem esticados e vermelhos, alimentados de modo pouco natural; são as alfaces regadas com ninguém sabe bem o quê; são os frangos que foram enfeitados com nitrofuranos. É a carne de vaca que pode enlouquecer os humanos; é a carne de porco que envenena o organismo; são os bivalves das lagoas e costas portuguesas que vegetam nas águas poluídas pelas descargas das pocilgas e esgotos não tratados – sem sabermos depois se o que estamos a comprar é produto congelado durante a época da proibição; é o peixe que nos carrega de metais pesados debaixo da sua aparente candura… E a lista poderia continuar ao infinito. (1)
A situação é de tal maneira grave que a Comissão Europeia introduz deste modo a problemática da segurança alimentar: “as crises alimentares da última década chamaram a atenção para a existência de riscos de contaminação a partir de determinados tipos de alimentos para animais, principalmente os utilizados nos sistemas de criação intensiva.” (2) 

Neste labirinto de armadilhas e perigos, existem duas atitudes:
– desistir de fazer escolhas saudáveis e, assim, quando acontecer, aconteceu (a doença);
– empreender uma estratégia promotora de vida abundante, quando estamos perante a escolha no campo alimentar.
Escolher é uma das mais preciosas características de qualquer ser humano. Ela assenta fundamentalmente no conhecimento que temos sobre os domínios nos quais podemos exercer essa capacidade.
A questão prende-se, assim, não com a discussão de viver para sempre, e outras utopias, mas de agarrar a vida que temos e vivê-la de maneira abundante. Quando se fala de proveito e se pode pensar em bom proveito, imediatamente muitos dirão que deixar de comer isto ou aquilo, é incompatível com esse tão procurado bom proveito, e por isso há que comer de tudo o que nos sabe bem.

A vida só é sustentável se abraçarmos uma nova visão do que ela representa, ao ser sustentada pelo contributo da Nutrição! Aceitar-se um novo conceito de alimentação é a possibilidade de usufruir de vida com bom proveito! Pode ser um pequeno passo que mudará o rumo não só da sua vida, mas o próprio futuro da humanidade. (3)
As Nações Unidas estimam que 130 milhões de europeus são afectados por episódios de doenças provocadas pela alimentação. A diarreia, uma causa de morte e atraso do crescimento das crianças, é um dos sintomas mais comuns das doenças causadas pela nutrição errada. Com os novos patogénicos, agentes transmissores de doença, como o agente da encefalite espongiforme bovina e a utilização de antibióticos nas rações de animais (que transferem ambio-resistência aos patogénicos humanos), estamos perante um problema fundamental de saúde pública.
Através da alimentação não racional, o organismo humano incapacita-se também para resistir à doença. Por isso, existem duas regras de ouro para vencer a luta contra a doença, que podem ser desencadeadas por uma nutrição incorrecta: 
• comer fundamentalmente o que for de primeira apanha,
• e promover a biodiversidade do planeta azul do sistema solar.

1ª Regra para uma alimentação de uma vida abundante: 
Comer o que for de primeira apanha!
Uma alimentação racional é uma das mais importantes mudanças a promover, se deseja viver abundantemente. Esta é uma expressão muito usada, e que merece ser aqui dissecada. A evidência científica apontaria para uma definição de alimentação saudável ou racional como aquela que é constituída pelos nutrientes provenientes dos produtos com o estatuto mais primário da cadeia alimentar. (4)
Um grão de milho que é comido por uma galinha, que depois é ingerida por uma criança, mas deixa os ossos para serem moídos e produzirem rações que vão alimentar uma vaca que, depois de morta, será consumida em bifes e costeletas, representa um exemplo típico do que é a cadeia alimentar actual. 
Recordo-me de ouvir dizer que, no tempo dos meus avós, a fruta era para os porcos. Hoje, as campanhas alimentares provocaram uma mudança neste tipo de comportamento e as maçãs e as pêras, que eram deitadas aos suínos, são consumidas pelos humanos… infelizmente, juntamente com os mesmos porcos. Em vez de comermos uma cenoura que foi mastigada por um coelho, devemos, em vez do coelho, comer a cenoura. Em vez de comermos um bife de vaca que foi alimentado pelas rações compostas de favas e aveia, ossos de galinha misturadas com antibióticos e outros medicamentos, devemos comer as favas e a aveia. Em lugar de nos alimentarmos de peixe espada, que ninguém poderia supor encontrá-lo contaminado com chumbo, deveríamos reforçar a alimentação com produtos hortícolas.
Por outras palavras, quanto mais processado for um produto na cadeia alimentar, menos adequado será para o consumo humano. (5)
A melhor alimentação para o ser humano é aquela que foi processada o menos possível. Deste modo, ainda que ela contenha insecticidas e outros produtos que os agricultores se dispõem a colocar para chamar a atenção do cliente nas bancas do supermercado, o nosso organismo estará mais bem preparado para combater esses venenos. 
Se eles nos chegarem em primeira mão, em vez de já processados por outros organismos vivos, que os concentraram em altas quantidades nos seus tecidos, constituindo posteriormente a base da nossa alimentação, a nossa saúde será beneficiada.
Assim, uma alimentação própria para o consumo humano deveria ser construída no patamar mais básico da cadeia alimentar.

2ª Regra para uma alimentação de uma vida abundante:
Comer, mas sem destruir a vida e o planeta que nos acolhe nesta viagem pelo espaço! 
Esta questão é fundamental por uma outra ordem de razões. 
Estamos cansados de ouvir falar da sustentabilidade (ou ausência dela) da vida no planeta Terra. (6) Agora até se tornou moda de “bem parecer” com as campanhas mediáticas de pessoas famosas. Gostaríamos de ver renascer, como o sol numa manhã de Primavera, a justiça, a paz, o fim das tensões sociais. Empenhamo-nos em conferências internacionais para que se respeite a biodiversidade como condição sine qua non da sobrevivência da espécie, e não nos cansamos de apelar ao bom senso de políticos. 
Mas e nós, cidadãos, que papel temos a desempenhar nestas questões?
O respeito pela biodiversidade7 passa pelas nossas opções em termos nutricionais também. Importa, por isso, lançar um vasto movimento sócio-ecológico para garantir a sustentabilidade da vida humana neste canto do Universo. 
A destruição da floresta amazónica não é só consequência da exploração das madeiras, mas também da pressão do consumo de carne que a industrialização veio impor. (7)
Deste modo, são destruídos os habitats de espécies raras. Com as enormes quantidades de amoníaco (entre outros) produzidas pelas manadas de vacas a perder de vista, o subsolo é destruído e os afluentes dos rios são poluídos a uma velocidade desconhecida do passado da história humana, colocando-se em causa o equilíbrio desses ecossistemas. Por isso, se diminuísse a procura de hambúrgueres e pratos confeccionados à base de carne, a pressão sobre as florestas tropicais diminuiria drasticamente, vislumbrando-se um futuro diferente para a humanidade. 
Isto não é um discurso catastrofista: levará ainda alguns anos até que a catástrofe aconteça; mas ela acontecerá, se não mudarmos as nossas escolhas de hoje, que poderão hipotecar ou reforçar as condições para uma vida abundante no futuro. Assim, “comer o que bem me apetece” assume contornos de responsabilidade social e ecológica. (8,9)
Mas esta questão ecológica vai ainda um pouco mais além das florestas. Ela toca o sensível problema do sofrimento provocado nos animais destinados ao consumo humano. Há algum tempo vi um documentário onde era apresentada a necessária mutilação provocada aos pintos ao lhes ser cortado o bico com uma guilhotina, antes de serem colocados em pequenas gaiolas onde a luz artificial, conjugada com a luz natural, não davam descanso à produção em grande escala de frangos...
A consciência ecológica que dá os passos tímidos, um pouco por todo o lado, deveria estimular a nossa sensibilidade para reformular conceitos de vida e paladares. Por isso, a escolha de uma alimentação racional não é mais um assunto do foro individual, mas é uma responsabilidade social, que assume contornos sociais específicos, que implicam a sobrevivência da própria espécie, pois ela depende profundamente da biodiversidade que a envolve. 
Afinal, a alimentação pode contribuir para uma vida abundante. Para isso, a regra é simples: comer o que for de Primeira Apanha, comer mas SEM Destruir a Vida e o Planeta (PAsemDVP). Se nas escolhas que fizermos no dia-a-dia esta for a nossa procura, constataremos que naturalmente os padrões de procura alimentares se reformularão, a fome será eliminada, a saúde das populações melhorada, e, finalmente, cada um poderá viver mais abundantemente.

Bibliografia:
1. Update: multistate outbreak of Escherichia Coli O157:H7 infections from hamburgers—western United States. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 1993 Apr 16;42(14):258-263). 
2. Do campo à mesa Uma alimentação segura para os consumidores europeus Série: A Europa em movimento Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, p. 6, 2005
3. Ornish, D., Brown, S.E., et al. 1990. Can Lifestyle Changes Reverse Coronary Heart Disease? The Lifestyle Heart Trial. Lancet Jul 21;336(8708) :129-133
4. Anderson J , Johnstone BM, Cook-Newell ME. Meta-analysis of the effects of soy protein intake on serum lipids. N Engl J Med 1995 Aug 3;333(5):276-282)..
5. WHO Commission On Health and Environment. Environmental Effects of Intensive Agricultural Production. In: Report of The Panel on Food and Agriculture. Geneva, Switzerland: World Health Organization, 1992 p. 48.; Pennington JA. Nutrient Content Chapters on “Meats”, “Poultry”, and “Milk, Yogurt, Milk Beverages, and Milk Beverage Mixes. In: Bowes and Church’s Food Values of Portions Commonly Used, 5ª Edição. Philadelphia, PA: J. B. Lippincott Co., 1989 p. 135-146, 150-155, 160-165
6. Agenda XXI, Conferência do Rio de Janeiro, 1992
7. Nadakavukaren, A. Introduction to Ecological Principles. In: Man and Environment, A Health Perspective - 3ª edição. Prospect Heights, IL: Waveland Press, 1990 p. 36
8. WHO Commission on Health and Environment. Environmental Effects of Intensive Agricultural Production. In: Report of The Panel on Food and Agriculture. Geneva, Switzerland: World Health Organization, 1992 p. 39
9. Isabel do Carmo, Saúde em Tempo de Risco, Relógio d’água, 1993, p.90

Luís Nunes
Sociólogo da Medicina e da Saúde Pública
Mestre em Saúde Pública

Polenta de Legumes

Ingredientes
1 cebola média
1 alho francês
2 colheres de sopa de azeite
1 chávena de sêmola de milho
4 chávenas de água quente
3 colheres de sopa de coentros picadinhos

Modo de Fazer
Salteie a cebola e o alho francês finamente cortados, e junte a sêmola de milho. Mexa muito bem, acrescentando a água quente e temperando com sal. Deixe cozinhar mais ou menos durante 20 minutos em lume moderado. Vá mexendo para não pegar. Depois deste tempo, apague o lume e misture os coentros. Coloque no prato de servir e deixe solidificar. Decore a seu gosto ou como está apresentado na foto.


Waffles de Soja e Aveia


Ingredientes
200g de feijão de soja demolhado
1 2/3 chávena de água
1 ¼ chávena de flocos de aveia
½ colher de chá de sal
1 colher de chá (mal cheia) de baunilha

Modo de Fazer
Ferva o feijão de soja durante 30 minutos. Ponha--o no copo liquidificador e acrescente os restantes ingredientes. Triture. Deite um pouco de massa na forma e coza durante 12 a 15 minutos cada. Sirva com doce de tomate e amêndoas torradas ou com qualquer outro doce a seu gosto.


Baunilha
Os aztecas do México usavam a baunilha desde tempos muito remotos, como aromatizante para a sua bebida favorita, feita à base de grãos de cacau com farinha de milho. O princípio activo é o vanilosido, glicósido que durante o processo de dissecação dá lugar à vanilina, responsável pelo seu típico aroma. A vanilina possui propriedades estomacais e digestivas, coléricas (aumenta a secreção de bílis), é um estimulante suave, e, segundo alguns, um afrodisíaco. Ainda que o seu uso actual se limite ao de condimento, convém ter presente a sua acção tonificante sobre as funções digestivas.


Feijão de soja
Há muito para dizer sobre este feijão, que não só ajuda as mulheres chinesas e japonesas a passar pela menopausa sem o desconforto de que as ocidentais se queixam, mas que faz com que elas apresentem um menor risco de cancro da mama. Também os homens do Extremo Oriente gozam de uma melhor saúde nos seus órgãos reprodutores e de um menor nível de colesterol. O feijão de soja é, talvez, o alimento natural com maior conteúdo em proteínas, vitaminas e minerais, além de conter valiosos elementos fitoquímicos. A sua gordura, formada principalmente por ácidos gordos insaturados, contribui para a redução do nível de colesterol.