24.1.14

Waffles de Soja e Aveia


Ingredientes
200g de feijão de soja demolhado
1 2/3 chávena de água
1 ¼ chávena de flocos de aveia
½ colher de chá de sal
1 colher de chá (mal cheia) de baunilha

Modo de Fazer
Ferva o feijão de soja durante 30 minutos. Ponha--o no copo liquidificador e acrescente os restantes ingredientes. Triture. Deite um pouco de massa na forma e coza durante 12 a 15 minutos cada. Sirva com doce de tomate e amêndoas torradas ou com qualquer outro doce a seu gosto.


Baunilha
Os aztecas do México usavam a baunilha desde tempos muito remotos, como aromatizante para a sua bebida favorita, feita à base de grãos de cacau com farinha de milho. O princípio activo é o vanilosido, glicósido que durante o processo de dissecação dá lugar à vanilina, responsável pelo seu típico aroma. A vanilina possui propriedades estomacais e digestivas, coléricas (aumenta a secreção de bílis), é um estimulante suave, e, segundo alguns, um afrodisíaco. Ainda que o seu uso actual se limite ao de condimento, convém ter presente a sua acção tonificante sobre as funções digestivas.


Feijão de soja
Há muito para dizer sobre este feijão, que não só ajuda as mulheres chinesas e japonesas a passar pela menopausa sem o desconforto de que as ocidentais se queixam, mas que faz com que elas apresentem um menor risco de cancro da mama. Também os homens do Extremo Oriente gozam de uma melhor saúde nos seus órgãos reprodutores e de um menor nível de colesterol. O feijão de soja é, talvez, o alimento natural com maior conteúdo em proteínas, vitaminas e minerais, além de conter valiosos elementos fitoquímicos. A sua gordura, formada principalmente por ácidos gordos insaturados, contribui para a redução do nível de colesterol.

As frutas são importantes fontes de vitaminas e fibras?

Solução: Correcto. Devem ser consumidas diariamente frutas variadas da estação em curso. No Inverno, os frutos secos, que nos fornecem um complemento calórico, ao serem consumidos com citrinos, fornecem minerais e vitaminas importantes. 
FAMÍLIA ALIMENTAR
Vegetais e frutas

5-9 DOSES/DIA 

TAMANHO MÉDIO DA DOSE 
½ chávena de vegetais ou fruta cozida
1 chávena de salada ou vegetais crus
1 peça de fruta média
¾ chávena de sumo
¼ chávena de frutos secos (ex. nozes, amêndoas, avelãs)

DESCRIÇÃO DAS FAMÍLIAS DE ALIMENTOS
A palavra “vegetal”, como é normalmente usada, aplica-se às folhas, aos caules, às flores, às raízes, aos tubérculos e às frutas não adocicadas das plantas. Como as folhas transformam a energia do sol em alimento, elas estão entre os vegetais mais nutritivos. O alimento produzido pelas folhas chega a outras partes da planta tais como os caules (aipo, espargos), raízes (cenouras, beterrabas e rabanetes), tubérculos (batatas, inhame, mandioca), flores (brócolos, couve-flor) e sementes imaturas (ervilhas, feijão de debulhar, milho). Os pepinos, aboborinhas, beringelas, quiabos e tomates são frutos da planta, mas não são doces. As frutas doces e coloridas das plantas incluem citrinos, bagas, melões, frutas tropicais e uvas. Os vegetais e as frutas fornecem vitaminas A e C, ácido fólico, minerais e fibras alimentares.

SUGESTÕES PARA ESCOLHAS SAUDÁVEIS 
Inclua diariamente alimentos ricos em vitamina C (citrinos, morangos, tomates, pimentos doces), e os que são ricos em vitamina A (a escolha de amarelos e verdes escuros tais como cenouras, e vegetais de folhas verdes). Seleccione vegetais da família das couves, incluindo brócolos, couve-flor, repolho, que se sabe fornecerem factores protectores contra as doenças.

NECESSIDADES ESPECIAIS 
Os indivíduos que desejam limitar o número de calorias que ingerem e aqueles que necessitem de menos calorias poderão escolher um maior número de doses deste grupo. Devem evitar acréscimos aos vegetais e molhos que tenham um alto teor de gordura. Escolham frutas frescas, congeladas ou conservadas sem açúcar.


9.1.14

BOAS NOTÍCIAS para os TÍMIDOS

É tímido?
O que antigamente se chamava timidez, é hoje designado na Psicologia como “fobia social”. Distingue-se da timidez como forma de ser – isto é, como um tipo de constituição caracterológica ou de personalidade – dos comportamentos caracterizados pelo medo persistente e intenso perante situações sociais ou actuações em público.
A primeira forma é um transtorno de personalidade conhecido como “personalidade evitativa”, cuja característica principal é o modelo geral de inibição social e retraimento, além de sentimentos de inadequação e uma hipersensibilidade à avaliação negativa. A segunda é uma fobia social, da qual nos ocuparemos principalmente neste artigo, e que se caracteriza por um estado de ansiedade em resposta a certas situações que implicam contactos com pessoas.
A fobia social revela-se como uma renúncia ao contacto social e um temor ou ansiedade que interferem marcadamente com a rotina diária da pessoa, com as suas relações laborais e a sua vida social. Os sintomas desse quadro não se devem a outras causas médicas ou psicológicas.
O fóbico social teme que os demais o considerem um indivíduo ansioso, débil, “louco” ou estúpido. É relutante em falar em público, porque crê que os outros perceberão algum tremor na sua voz ou nas suas mãos, ou porque pensa que a qualquer momento poderá ser presa de uma incontrolável ansiedade que o impeça de articular correctamente as palavras e de sustentar um diálogo com outra pessoa.

As estatísticas indicam que a timidez ou fobia social é um dos problemas
mais generalizados na actualidade. No entanto, as investigações sobre os tratamentos 
psicológicos de quem padece destes temores estão a augurar resultados optimistas.

Pode ser que evite comer, beber ou escrever em público, com medo de se sentir em apuros quando os outros virem como as suas mãos tremem. Os indivíduos com fobia social experimentam quase sempre sintomas de ansiedade (palpitações, tremores, suores, problemas gastrointestinais, diarreias, tensão muscular, rubor, confusão) nas situações sociais temidas. Nos casos mais sérios, estes sintomas podem chegar a uma crise de angústia ou a um ataque de pânico.
O indivíduo com fobia social evitará as situações temidas. Com menos frequência obrigar-se-á a suportar essas situações, embora à custa de uma intensa ansiedade. Também pode aparecer ansiedade antecipada, muito antes do indivíduo ter de enfrentar a situação social temida ou a actuação em público (por exemplo, preocupações diárias durante semanas antes de assistir a um acontecimento social).
Às vezes chega a constituir-se um ciclo vicioso, onde a antecipação provoca medo e ansiedade, que terminam por produzir um desempenho insatisfatório. Isto, por sua vez, gera mais ansiedade antecipada a respeito de outras ocasiões, e assim sucessivamente. Dessa maneira, os temores e os comportamentos que tendem a evitar a interacção social interferem marcadamente na actividade laboral ou académica do indivíduo ou nas suas relações sociais, gerando um mal-estar significativo.


































Um mal-estar em crescendo
Os estudos mais recentes mostram que a prevalência da fobia social se vai incrementando na

7.1.14

O PÃO QUE NÃO ENGORDA


PÃO
O Dr. David Rubin, autor de renomeada, fala da “mentira” do pão branco. Diz: “É uma estranha combinação das partes menos nutritivas do grão de trigo com uma certa quantidade de produtos químicos, que podem ser prejudiciais.”
O que há de mau no pão branco?
Basicamente, o que há de mau é o que o processo da moagem faz ao trigo. Um grão de trigo é constituído por uma coberta exterior (farelo), um embrião (gérmen de trigo) e o endosperma (parte central do grão).
O farelo contém a maior parte da fibra, grande quantidade de vitaminas e minerais e um pouco de proteína.
O gérmen de trigo é rico em vitaminas B e E e, além disso, tem vários minerais e fibra.
O endosperma, que representa 80% do grão inteiro, contém proteína (glúten) e amido. É a única parte que se usa para fazer a farinha branca. Ironicamente, o farelo e o gérmen, que se retiram durante a moagem do grão, e que tem grande valor nutritivo, são vendidos para engordar o gado.

A indústria alimentar complica ainda mais os problemas de nutrição utilizando vários produtos químicos artificiais, como os que se seguem:
- Propilenglicol (anticongelante), para manter o pão branco.
Ácido diacetiltartárico (emulsionante), para levedar.
- Sulfato de cálcio (gesso branco), para amassar com maior facilidade grandes quantidades de massa.


O grão: um conjunto harmonioso
missing image fileTodos os grãos de cereais são formados por três partes: farelo, endosperma e gérmen.De acordo com os princípios do Dr. Bircher-Benner, as três partes do grão formam um conjunto harmonioso cujo valor nutritivo supera a soma do valor nutritivo do farelo, do endosperma e do gérmen, separados.O mais sábio é consumir o cereal completo e sem separar, tal como a Natureza o dá, pois nele se encontra a proporção ideal de nutrientes.1. Farelo: Rico em fibra, vitaminas e minerais. Os farelos mais usados são o de trigo pela sua acção laxante, e o de aveia pela sua acção redutora do nível de colesterol. Também se usam os de cevada, arroz e milho.2. Endosperma ou núcleo: Formado por grânulos de amido e proteína.3. Gérmen: Muito rico em vitaminas B e E. O mais usado é o de trigo.No processo de moagem, o grão de trigo perde, em grande medida, a quantidade de nutrientes que possui.

Deveríamos deixar de comer pão branco?
Nenhum pão é totalmente mau. Até o pão branco e esponjoso é um alimento com muito amido e pouca gordura. O que acontece é que alguns pães são melhores do que outros.
Por exemplo, consideremos a fibra. Uma fatia de pão branco contém uma quarta parte de um grama de fibra, enquanto uma fatia de pão integral contém dois gramas, e alguns pães, feitos com farinhas de vários cereais, contêm até 3,5 gramas de fibra por fatia. Isto significa que é necessário comer oito ou mais fatias de pão branco para obter a fibra contida numa fatia de pão feito com farinha de vários cereais.

missing image fileQue se pode dizer da farinha e do pão enriquecidos?
No processo de moagem do trigo perdem-se, pelo menos, 24 minerais e vitaminas conhecidos.
Quando em fins do século XIX apareceram doenças causadas por deficiências de nutrição, consequência da moagem comercial, a indústria começou um programa de enriquecimento da farinha. Foram restaurados quatro dos nutrientes: tiamina, riboflavina, niacina e ferro. Contudo, na maioria dos casos, não se fez nada para restabelecer os outros nutrientes que se tinham perdido.

Que tipo de pão é o mais saudável?
O pão que é verdadeiramente saudável contém cereais moídos com casca, gérmen de trigo e endosperma. Este tipo de pão tem de duas a quatro vezes mais valor nutritivo do que o pão branco comum.
Quando é combinado com fruta fresca, cereais, verduras, batatas e legumes, o pão complementa as refeições e ajuda a manter níveis de energia adequados durante longos períodos.
Consuma o saboroso pão que não se encontra cheio de ar, o pão feito com farinha de trigo integral. O pão de trigo germinado também é excelente.
paoQuando possível, o pão deve ser feito em casa.
É verdade que a farinha integral tem gorgulhos ou insectos do trigo?
As farinhas integrais têm um saudável equilíbrio entre o amido, a proteína, as gorduras naturais e as fibras, além de conterem vitaminas e minerais em abundância. Parece que os gorgulhos sabem disso. Por outro lado, a farinha branca carece desse tipo de nutrientes, pelo que os gorgulhos raras vezes a tocam.
A farinha integral deve ser guardada no congelador. Também se pode comprar o trigo e moer-se em casa, se tiver um moinho.

O pão branco e o pão integral engordam?
Não é o pão que engorda, mas o que se lhe junta. Uma fatia de pão integral tem 70 calorias, o mesmo que uma maçã. Se se lhe acrescentar manteiga de amendoim e doce, essa fatia pode ter 300 calorias. É assim que uma inocente e nutritiva fatia de pão se converte num desastre calórico.
O pão tem sido, tradicionalmente, a base da nutrição humana. Restaurar o bom pão ao lugar que lhe corresponde é um grande passo para uma melhor saúde.

* Para saber mais, ver Enciclopédia Saúde pela Alimentação, do Dr. Jorge D. Pamplona Roger, especialmente o capítulo 4, “Os Cereais”. Publicadora SerVir, S.A.
Hans Diehl e Aileen Ludington
in Salud Quatro

5.1.14

REPOUSE PELA SUA SAÚDE



Estamos no início de um novo ano e, como certamente acontece todos os anos, prometemos a nós mesmos que nada vai ser igual, que vamos mudar tudo, que temos novas oportunidades e planos que vamos concretizar.
Fantástico! Realmente essa decisão é talvez a melhor que podemos tomar, para evitar que se repitam os desapontamentos e fracassos do ano que acabou.
No entanto, há um fator que domina a cena da vida diária que quase nunca temos em conta, mas que afeta largamente o que será a nossa vida no ano que se inicia.
Refiro-me ao ritmo acelerado em que nos movemos, à rapidez que nos é exigida a cada passo na realização das nossas obrigações, ao contrarrelógio constante que nos leva a rodopiar entre o trabalho, a casa, os compromissos, o trânsito e uma infinidade de outras coisas que ocupam o nosso horizonte material, emocional e social.
Hoje, vivemos à velocidade da luz, por assim dizer, dependendo de meios cada vez mais rápidos de comunicação, de análise, de pesquisa, de informação.
Atualmente, quase nada se pode fazer sem uma máquina informatizada, sem um iPad, um iPod, um Tablet, um computador portátil, um smartphone, uma internet superveloz, uma calculadora supercientífica, um avião super-rápido, um carro superpotente.
Realmente, vivemos no século da Ciência e da Tecnologia. Mas, no meio disto tudo, onde se insere o Homem? Qual é o seu papel? Onde está a sua identidade, a sua capacidade de escolha, o seu valor como ser vivo e pensante?
No meio do torvelinho em que vivemos, muito se perde da capacidade do Homem para ser humano. O Homem desgasta-se, reduz-se ao seu mínimo emocional, intelectual e social ao ter de enfrentar os desafios que as máquinas e o estilo de vida que criou lhe impõem.
Não admira, portanto, que, hoje, vivamos num período de desorientação, de perda de valores, de esgotamento das energias emocionais e físicas. Não admira que os consultórios dos psicólogos, dos psiquiatras, dos neurologistas, estejam sempre a fervilhar de utentes, mais ou menos destroçados pela veloz máquina do tempo. E ainda admira menos saber que milhões de pessoas procuram nos sedativos e nos tranquilizantes o refúgio, o descanso que restaure as suas energias e a sua vida interior.

SABIA QUE...
O cansaço é uma das queixas mais frequentes nas consultas médicas?
As horas de sono antes da meia-noite são as mais restauradoras? 
Os adolescentes necessitam de uma média de nove horas de sono por noite, mas que a maioria não as tem?
As crianças em Portugal passam cerca de 4 horas por dia à frente da televisão (e Internet), roubando assim horas preciosas ao sono? 
A maioria das pessoas deitar-se-ia mais cedo se visse menos televisão e utilizasse menos a Internet?

Porquê?
Mas, a que se deve esse cansaço? Não deveríamos sentir-nos bem com as facilidades que hoje temos, graças aos avanços da tecnologia? Podemos sentir-nos bem com as “engenhocas” que temos, mas acabamos por nos tornar escravos delas.
Na verdade, embora muitos dos casos de cansaço e de esgotamento físicos se devam a problemas de saúde (gripes, constipações, etc.), a grande maioria dos casos é fruto da falta de descanso. Parece uma verdade de La Palisse, mas é assim mesmo: hoje não dormimos as horas suficientes, e o nosso sono não tem a qualidade necessária para dar ao nosso organismo a possibilidade de se restaurar.
Infelizmente, todos conhecemos a sensação frustrante de acordar mais cansados do que nos deitámos, ou porque nos deitámos tarde, ou porque não tivemos um sono reparador.
Muitas pessoas começam o seu dia ingerindo “bombas” que obrigam o seu organismo a reagir, quando, na verdade, o que ele pede é repouso. Refiro-me, claro, aos cafés, aos chás fortes, a refrigerantes com cafeína, ou, pior ainda, a medicamentos que vão anular o efeito dos calmantes e sedativos ingeridos na noite anterior.
Mas isto provoca um efeito de ricochete: ao desequilibrar a interação dos nossos sistemas nervosos simpático e para-simpático, cria-se uma maior necessidade de ingerir calmantes e sedativos, o que leva a um aumento da necessidade de ingestão de “coisas” para acordar e ficar ativo, o que provoca um desgaste cada vez maior de energia.
De facto, temos a tendência para esquecer uma verdade universal: o cansaço é cumulativo. Uma hora de sono perdida, para alguém que precise de dormir, digamos, 7 horas por noite, se se repetir nas noites seguintes, ao chegar ao fim de uma semana, contará como uma noite inteira de sono em falta. E isso pode ser desastroso: aumento da irritabilidade e da agressividade, falta de energia, perda da capacidade de concentração, diminuição do rendimento intelectual e laboral, diminuição da criatividade e até redução da capacidade de avaliação.
Não é sem razão que a Direção Nacional de Transportes e Segurança dos Estados Unidos da América calcula que mais de 100 000 acidentes de trânsito que ocorrem anualmente naquele país, dos quais resultam mais de 1500 mortos e 71 000 feridos, são causados por condutores sonolentos e cansados. Embora não haja uma estatística semelhante para o nosso país, é óbvio que o cansaço afeta, e muito, a capacidade de condução e a forma como se reage perante uma situação de perigo ou complicada.
O mesmo se pode dizer do efeito do cansaço em qualquer outra área da vida. Se for levado ao extremo, ou melhor, se não for aliviado e compensado com um repouso restaurador, o cansaço pode degenerar em exaustão, depressão e noutros problemas do foro psiquiátrico e psicológico.

TESTE DO SONO
Tenho dificuldade em adormecer.
a) Frequentemente
b) Algumas vezes
c) Raras vezes
d) Nunca
Durmo as horas suficientes e sinto-me repousado quando acordo de manhã.
a) Frequentemente
b) Algumas vezes
c) Raramente
d) Nunca
Consumo bebidas com cafeína (tais como café, chá preto e refrigerantes).
a) Frequentemente
b) Algumas vezes
c) Raramente
d) Nunca
Deito-me cedo, todas as noites.
a) Frequentemente
b) Algumas vezes
dormirmal_72658054.jpg
c) Raramente
d) Nunca

Importância do repouso
O nosso organismo usa o repouso para se restaurar. É durante os períodos de repouso que os tecidos são renovados, a energia recuperada e os resíduos do metabolismo eliminados. Ou seja, é durante o repouso que o nosso corpo faz uma “revisão completa” ao sistema.
Por outro lado, ao fortalecer o sistema imunit ário, o repouso ajuda a combater e a evitar a doença, ao mesmo tempo que melhora a reação aos ferimentos e danos que o corpo tenha sofrido, incluindo os causados pelo stresse e pelos traumas emocionais.
Tem ainda uma fun ção de “rejuvenescedor”, contribuindo, em certa medida, para um aumento da longevidade.
Da í a importância de termos um bom repouso todas as noites, embora nem todos precisemos da mesma quantidade de sono: os bebés precisam de 16 a 20 horas por noite, as crianças de 10 a 12 horas e os adultos variam muito nas suas necessidades de sono, mas andam, geralmente, entre as 7 e as 8 horas de sono por noite.
Mas, como é evidente, dormir não é a única forma de repousar. Na verdade, o repouso deve ser cultivado em várias áreas da vida, para que possa ser benéfico para todo o ser.
Por isso, amigo/a Leitor/a, desfrute dos seus fins de semana, mas n ão se sente horas a fio em frente de uma televisão, de um computador ou de uma consola de jogos. Aproveite algumas horas para desfrutar da Natureza, para passear com os seus filhos, se os tiver, para conviver com os amigos, para ler, para praticar algum desporto ligeiro ou para cuidar do seu jardim.
Fa ça, também, das suas férias um período de descontração e de relaxamento, não um fardo em que tem de carregar e descarregar “toneladas” de malas e de viver num constante corre-corre entre coisas a ver, coisas a fazer, quilómetros a andar.

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Para muitos, o problema não é adormecer – é arranjar tempo para dormir. Uma agenda demasiado preenchida, condimentada com café forte, prolonga-se pelas horas reservadas ao sono. 
O seu corpo é o bem mais precioso! Não dormir pode ser uma tentação, mas, a longo prazo, é contraproducente.
Aqui ficam algumas sugestões para desfrutar de um sono melhor:
Deite-se e levante-se sempre à mesma hora.
Evite a cafeína.
Não use bebidas alcoólicas como sedativos. Mais tarde, durante a noite, fazem com que o cérebro fique mais agitado.
Faça exercício de manhã cedo ou ao fim da tarde, mas nunca menos de 2 horas antes de dormir.

Cuidado com os medicamentos para dormir!
Durante o sono normal, o nosso corpo passa por fases de sono mais pesado e sono mais leve. Estas fases são normais e o nosso organismo aproveita-as para se refazer. Por exemplo, durante a fase de sono mais leve têm lugar os sonhos que, aparentemente, proporcionam um escape natural às pressões do dia. Na fase de sono mais pesado, restaura-se o nosso cérebro e são eliminados os radicais livres que se acumularam nos neurónios durante o trabalho intenso do dia. O mesmo acontece com a renovação e substituição das células do nosso corpo.
O sono induzido por medicação, embora possa ser bem-vindo em situações de emergência, e possa parecer compensador, não tem a mesma ação positiva, já que elimina a fase do sono leve. 
Por outro lado, os medicamentos que induzem o sono provocam, quase sempre, se tomados continuamente, habituação e dependência, acabando por contribuir para um problema ainda maior do que o anterior.
O uso de álcool tambémé totalmente desaconselhado. Não só o álcool não promove um sono saudável nem natural como provoca danos irreversíveis ao nível do cérebro, do fígado, do estômago, dos vasos sanguíneos. Isto para não falar dos danos emocionais, sociais e psicológicos que provoca ao bebedor e à sua família.
Portanto, não entre por aí.

dormirbem_24644407.jpgCOMO POSSO DORMIR MELHOR?
Faça intervalos regulares durante o dia de trabalho. Ande um pouco, beba um copo de água e respire fundo.
Faça, diariamente, 30 a 60 minutos de exercício físico. O exercício relaxa, restaura as energias, ajuda a tratar a depressão e combate a ansiedade.
Tanto quanto possível, mantenha um horário regular para se deitar, para se levantar, para comer e para fazer exercício. O corpo revigora-se com a regularidade na vida.
Faça a refeição da noite ligeira e pelo menos 4 horas antes de se deitar. Um estômago vazio e em descanso promove um sono de qualidade.
Se puder, tome um banho de imersão antes de se deitar. É uma técnica de relaxamento eficaz.
Valorize as coisas boas. Encha a sua mente de gratidão e pratique o bem. Uma consciência tranquila e uma mente cheia de gratidão são como almofadas que promovem um sono tranquilo.

Prezado amigo/a Leitor/a, ao iniciar este ano, aqui fica o nosso desafio: Procure organizar o seu tempo de modo a ter momentos de repouso de qualidade, momentos em que o seu corpo e o seu espírito possam realmente ser restaurados. Não encha a sua vida com demasiadas coisas, para não ter de correr entre todas elas.
Sobretudo, não faça da televisão e da Internet o seu descanso. Além de viciantes, esses meios de comunicação cansam o seu cérebro, esgotam as suas energias e acabam por fazer com que durma mais tarde, menos horas e com um sono de qualidade inferior.
Se se sente cansado de estar cansado, então agora é o momento de fazer planos para ter os momentos de refrigério e de repouso de que o seu corpo necessita.
E tenha um bom e feliz ano novo!
Manuel Ferro
Redação Saúde & Lar

31.12.13

Pensemos Global, para agir localmente: A ÁGUA

O papel da água

Estamos convictos, hoje, de que, entre as ameaças mais preocupantes ao bem-estar da humanidade, que ultrapassam fronteiras, latitudes e barreiras entre os povos, encontra-se a descapitalização hídrica de zonas cada vez maiores do planeta. Portugal não foge à regra!
Será que estamos perante uma inevitabilidade? Haverá alguma coisa que possamos fazer, individualmente, para inverter essa tendência? As soluções existem, e estão ao nosso alcance.
aguaAlgumas das medidas que se tomam para reduzir este impacto são lentas a conseguir os efeitos requeridos, e encontram resistências ao nível dos diferentes actores numa sociedade. Ainda recentemente, em Portugal, depois da directiva europeia relativamente aos recursos hídricos, falhou-se mais uma data no calendário, sendo necessário prolongar o tempo de adequação dos portugueses à lei dos poços (assim conhecida). Esta lei pretende que se faça no país um rigoroso levantamento dos recursos hídricos existentes, à semelhança do que se vai fazendo no resto da Europa dos 27.
No entanto, enquanto o campo se desertifica, e cada vez menos pessoas conhecem realmente os recursos existentes, nas cidades a pressão urbana destrói esses mesmos recursos, entulhando linhas de água, enchendo com betão e alcatrão os naturais caminhos da água de superfície para os aquíferos subterrâneos, tornando assim cada vez mais comprometedor encontrar o equilíbrio na Natureza.
Certamente que não podemos resolver o problema sozinhos, mas existem contributos individuais que podem fazer a diferença, e, pela participação activa de cada um, contribuir, gota a gota, para a sua solução.
Uma dessas soluções tem sido apontada, em Portugal, por pessoas que há anos têm vindo a apelar para uma gestão urbana mais próxima das soluções ecológicas. O Eng. Ribeiro Teles fala regularmente da manutenção dos espaços verdes, como fundamentais para combater o efeito de estufa e trazer humidade de volta às cidades.
missing image fileUm dos meios de conseguir que tal aconteça é através do desenvolvimento de zonas destinadas a hortas do lar, um conceito que temos vindo a apresentar. O que distingue o conceito de “hortas urbanas” do de “hortas do lar” prende-se com o enfoque na coesão social e familiar que este último apresenta. No entanto, quer as hortas urbanas quer as hortas do lar contribuem para o importante papel que uma gestão dos solos e organização urbana mista (entre betão-espaços verdes) pode conseguir na problemática da gestão da água.
De acordo com a FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas), 15% da produção mundial de alimentos era assegurada em 1998 por hortas urbanas. Este número envolveria cerca de 800 milhões de pessoas. É interessante notar que a produção das hortas em cidades é tão antiga como o desenvolvimento das próprias cidades. Evidentemente que, com o desenvolvimento rodoviário e dos transportes, foi possível equacionar um abastecimento das cidades a partir de uma agricultura intensiva, mais distante, relegando-se para segundo plano esta forma de auto-subsistência dos seus habitantes.
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No entanto, o agravamento dos problemas ambientais, o aumento do preço dos combustíveis, a poluição causada pelos transportes, a utilização de adubos químicos na agricultura intensiva, a destruição das terras aráveis devido às suas técnicas, tudo isso são razões que nos devem levar, hoje, a perspectivar o âmbito do alcance individual das nossas escolhas e opções.
Embora no século XIX estivesse bem consolidado o movimento das hortas urbanas no Norte da Europa, com mais de um século de institucionalização urbana deste fenómeno, nem todos os países o apoiaram e apoiam. (Por institucionalização pretendemos referir a coexistência pacífica de hortas em cidades, apoiada pelos poderes locais de gestão urbana e a solidariedade e respeito mútuo dos cidadãos por esses espaços).
Podemos referir um desses exemplos de institucionalização: na Alemanha, em 1864, foi criada a primeira Associação, denominada Schreberverein. Um pouco mais a ocidente, a Dinamarca tem hoje cerca de 409 Associações de cidadãos urbanos que se interessam pelas hortas urbanas. Este é o país que regista o maior número de hortas urbanas per capita, tendo uma história já longa com saber acumulado desde o século XVIII.
É neste contexto de organização urbana que as autarquias fornecem, nestes países, pequenos espaços para que os seus munícipes os possam cultivar, não longe das suas habitações. Em Portugal, no entanto, assistimos ao inverso desta tendência: Existem, felizmente, algumas excepções, ouvindo-se falar aqui e além de que está em projecto, em várias Câmaras, a instalação destas hortas. Contudo, com a excepção da zona do Porto (com as Hortas à Porta) a experiência portuguesa é incipiente, esporádica, não apoiada ou acompanhada pelo poder local. A representação social que este conceito obtém é negativa, muito provavelmente pela memória recente que o povo português guarda da sua ruralidade.
Mas os tempos mudaram definitivamente. Se, por um lado, a crise que se tem vindo a agravar no campo financeiro veio lembrar-nos que a especulação não é sustentável a curto e médio prazo, fomos violentamente recordados de que a gestão especulativa não sustentável do ambiente, que temos empreendido, é desastrosa. A extinção dos recursos fósseis informa-nos que a sustentabilidade das cidades, através da maciça importação de alimentos, deve ser urgentemente reequacionada. Insistir que nada vai mudar é agravar ainda mais o problema. Por isso, há que empreender um movimento cívico de apoio a novas soluções, seguindo os bons exemplos do passado e do presente. Existem soluções que podem ser construídas, onde a participação individual em muito contribuirá para resolver o problema em termos globais. Porque gota a gota se enche uma ribeira...

Luís Nunes
Sociólogo da Medicina e da Saúde
Mestre em Saúde Pública

27.12.13

COMIDA COLORIDA

A cor dos alimentos é devida às substâncias corantes que contêm, que não só contribuem para as tornar atraentes e desejáveis, mas também, de alguma maneira, nos indicam as suas propriedades.
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Cor vermelha

Deve-se ao licopeno, um carotenóide (pigmento semelhante ao caroteno, da cenoura) de intensa acção antioxidante. Neutraliza os radicais livres que deterioram o ADN das células e causam mutações e envelhecimento. Contribuem para o bom funcionamento da próstata e evitam a sua degeneração cancerosa.
O licopeno encontra-se sobretudo no tomate, e também na melancia, no pimento e nos morangos.

Cor verde

Deve-se à clorofila, o pigmento vegetal mais abundante. Graças a ele, as plantas podem captar a energia do sol e sintetizar glicose, amido e outros nutrientes.
Os espinafres, a alface, as ervilhas, as alcachofras, os brócolos e os rebentos tenros de legumes e cereais são boas fontes de clorofila.
A clorofila é antioxidante e depurativa. A sua acção protectora do cancro está em estudo.

Cor alaranjada

Deve-se aos carotenos, pigmentos vegetais de acção antioxidante e anticancerígena. O beta-caroteno é o tipo de caroteno mais importante, por se transformar, no organismo, em vitamina A, numa proporção muito superior a outros carotenos ou carotenóides (pigmentos semelhantes aos carotenos).
Os carotenos encontram-se nas cenouras, nas laranjas, na abóbora, na manga, nos alperces e noutras frutas de cor amarelada ou alaranjada.

Cor amarela

É dada por diversos pigmentos:
Carotenóides, como a luteína do milho. Os carotenóides exercem uma acção antioxidante e protectora da retina. Os espinafres também contêm luteína, embora não sejam de cor amarela, pois neles predomina a clorofila.
Flavonóides, como a quercitina das maçãs. Os flavonóides são os pigmentos mais comuns na fruta, e exercem diversas acções medicinais, especialmente de tipo anti-inflamatório e antioxidante.

Cor roxa
Deve-se às antocianinas, substâncias antioxidantes que favorecem a circulação do sangue pelos capilares e veias. Contribuem para o bom funcionamento da retina e melhoram a visão.

As uvas pretas, as amoras, os mirtilos e a pele da beringela são ricos em antocianinas.

Cor grená

Deve-se a um tipo de antocianina chamada betacianina, que partilha das propriedades das antocianinas de cor roxa. Possivelmente, actua também como anti-anémico.
Encontra-se na beterraba e na romã.

Jorge Pamplona Roger

Cirurgião especialista do aparelho digestivo, autor da enciclopédia “Saúde pela Alimentação” publicada pela Publicadora SerVir, S.A.

24.12.13

Medicina Alternativa e Complementares

Um dos seus amigos diz que a acupunctura é um dom dos céus; outro diz que é um pesadelo. Isso sem mencionar todas as informações confusas que se ouvem sobre quiroprática, Reiki e massagem. Em que é que se deve acreditar? Três médicos juntam forças para dar uma perspetiva médica sobre terapias complementares alternativas.

Aproximadamente 38% dos adultos usam medicina alternativa complementar (MAC). Terapias tais como massagem, acupunctura, quiroprática e Reiki. Com a sempre crescente popularidade da MAC, é importante que compreendamos quais são as terapias que são seguras e eficazes – e quais não o são. Em resposta a essa necessidade, o Congresso Norte-Americano emitiu, em 1991, uma legislação que criou o que é agora conhecido como National Center for Complementary and Alternative Medicine (NCCAM) (Centro Nacional para a Medicina Complementar e Alternativa (CNMCA). Este instituto, que faz parte dos Institutos Nacionais de Saúde, é a agência que lidera a investigação científica do governo federal norte-americano sobre MAC. A sua investigação ajuda o público e os profissionais de saúde a saberem que terapias são seguras e eficazes, e quais não o são.
É interessante que a criação deste instituto seja muitas vezes citada como prova da eficácia da MAC quando, na realidade, isso reflete uma certa preocupação com o crescente número de terapias propostas. Proporciona informações baseadas em provas que nos ajudam, e à nossa família, a saber quais as terapias alternativas ou complementares que podem ser feitas com segurança – e quais devem ser evitadas.

“Complementares” ou “alternativas”: qual é a diferença?
O campo da MAC está a mudar constantemente. Em abril de 2010, o CNMCA definia-o como um grupo de diversos sistemas médicos e de cuidados de saúde, práticas e produtos que não são geralmente considerados como parte da medicina convencional. A medicina convencional, também conhecida como alopatia, é o que é praticado por pessoas com um curso de medicina ou de osteopatia, bem como por profissionais de saúde, tais como fisioterapeutas, psicólogos e enfermeiros diplomados.
“Medicina complementar” e “medicina alternativa” são termos usados, muitas vezes, indiscriminadamente, mas têm, na realidade, significados muito diferentes. A medicina complementar refere-se ao uso da MAC em conjunto com a medicina convencional. A maior parte da utilização da MAC é complementar. Nos Estados Unidos da América, quando a terapia da MAC tem provas de segurança e eficácia, é referida como “medicina integrativa”.
Contrariamente, a “medicina alternativa” refere-se ao uso da MAC em vez da medicina convencional. Num editorial do New England Journal of Medicine, sobre práticas alternativas, R. H. Murray e A. J. Rubel comentam: “Muitas [práticas alternativas] são bem conhecidas, outras são exóticas e misteriosas, e outras ainda, são perigosas.”
O que é que pode tornar a medicina alternativa perigosa? Por vezes é perigosa porque os pacientes a usam em vez da medicina convencional, baseada em provas, fazendo com que percam benefícios provados ao substituí-los por métodos ineficazes. Além disso, algumas práticas alternativas têm efeitos secundários que são inerentemente perigosos.

Quiroprática
A quiroprática é uma abordagem de cuidados de saúde que tem o principal foco no relacionamento entre a estrutura do corpo, a coluna, e a sua função. Quem pratica a quiroprática usa uma série de abordagens de tratamento, mas faz, primeiro, um ajuste da coluna ou de outras partes do corpo com o objetivo de corrigir o problema de alinhamento e de suporte da capacidade natural de cura do corpo.
Investigações recentes sobre cuidados de saúde de quiroprática, feitos pelo CNMCA, tiveram o seu foco na eficácia dos tratamentos de quiroprática para as dores nas costas, no pescoço e na cabeça, bem como de outros problemas de saúde tais como os temporomandibulares. Há provas da eficácia da quiroprática para os casos acima mencionados, mas não para a larga variedade de problemas que têm sido indicados.

Massagens
As massagens são, muitas vezes, consideradas como parte da MAC, embora tenham alguns usos convencionais. A terapia de massagens envolve muitas técnicas, utilizando óleo ou loções para reduzir a fricção sobre a pele enquanto o terapeuta pressiona, massaja e manipula os músculos e outros tecidos moles do corpo. Na maioria das vezes, os massagistas usam as suas mãos e dedos, mas podem, também, usar os antebraços, cotovelos, ou até os pés. A terapia de massagens parece ter muito poucos riscos se for feita por um profissional competente.
As provas científicas sobre a terapia de massagens ainda é limitada. Os cientistas ainda não estão certos sobre que mudanças ocorrem durante as massagens e como é que elas influenciam a saúde. Há, no entanto, alguma investigação incentivadora:
Em 2008, um exame de 13 testes clínicos encontrou provas de que a massagem pode ser útil para a dor crónica da parte inferior das costas. As diretrizes de prática clínica emitidas em 2007 pela Sociedade Americana da Dor e pela Ordem dos Médicos Americana recomendavam que os médicos considerassem o uso de certas terapias MAC, incluindo as massagens, quando os pacientes com dor crónica da parte inferior das costas não melhorassem com os tratamentos convencionais.
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Um estudo multifacetado de pacientes hospitalizados com cancro em estado avançado concluiu que as massagens podem ajudar a aliviar a dor e a melhorar o humor.
É necessário mencionar alguns cuidados a ter com a terapia das massagens nas seguintes condições: As massagens vigorosas devem ser evitadas por pessoas com problemas hemorrágicos ou com uma contagem baixa de plaquetas sanguíneas, bem como por pessoas que estejam a tomar medicamentos fluidificantes do sangue, tais como varfarina. As massagens não devem ser feitas em nenhuma área do corpo em que existam coágulos sanguíneos, fraturas, feridas abertas, infeções da pele, ossos fracos, ou o local de uma cirurgia recente. Os pacientes oncológicos e as mulheres grávidas devem consultar um profissional de saúde antes de usarem a terapia da massagem. As massagens não devem ser utilizadas como substituto para cuidados médicos regulares ou como forma de adiamento de consultar um profissional de saúde para um dado problema.

Reflexologia 
De acordo com a Associação Canadiana de Reflexologia, esta é definida como uma arte de cura natural baseada no princípio de que há reflexos nos pés, mãos e orelhas e que as suas áreas referenciais correspondem a cada parte, glândula e órgão do corpo. Através da aplicação de pressão nestes reflexos sem o uso de ferramentas, cremes ou loções (os pés sendo a área principal de aplicação), afirma-se que a reflexologia alivia a tensão, melhora a circulação e ajuda a promover a função natural das áreas relacionadas do corpo.
O que diz a investigação? Um exame sistemático de testes controlados ao acaso concluiu: “Até à data, a melhor prova disponível não demonstra, convincentemente, que a reflexologia seja um tratamento eficaz para qualquer problema médico.”
Naturalmente, há uma preocupação levantada por profissionais de saúde de que o tratamento de doenças potencialmente graves com reflexologia, que não tem eficácia provada, poderia adiar a procura de um tratamento médico apropriado. Os próprios reflexologistas propõem que a reflexologia deve ser usada como uma terapia complementar e não deveria substituir os tratamentos médicos.

Acupunctura e acupressão
A acupunctura está entre as mais antigas práticas de cura do mundo. É conhecida como uma família de procedimentos que envolvem a estimulação de pontos anatómicos do corpo usando uma série de técnicas. A técnica de acupunctura que tem sido mais estudada inclui penetrar a pele com agulhas metálicas finas e sólidas que são manipuladas pelas mãos ou por estimulação elétrica.
Praticada na China e noutros países asiáticos há milhares de anos, a acupunctura é uma das componentes-chave da medicina tradicional chinesa (MTC). O corpo é visto como um delicado equilíbrio de duas forças opostas e inseparáveis: yin (que representa aspetos frios, lentos ou passivos da pessoa) e yang (que representa aspetos quentes, excitados ou ativos). De acordo com a MTC, a saúde consegue-se mantendo o corpo num “estado de equilíbrio”; a doença é o resultado de um desequilíbrio interno do yin e do yang. Este desequilíbrio leva ao bloqueamento na fluidez do qi (pronunciado “chee”), que pode ser desbloqueado pelo uso de acupunctura em certos pontos do corpo que se unem com os meridianos que ligam o corpo com uma rede matriz interligada de, pelo menos, 2000 pontos de acupunctura.
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Nos Estados Unidos da América, onde os praticantes incorporam tradições de cura da China, Japão e Coreia, a acupunctura é considerada parte da medicina complementar e alternativa. Não obstante, de momento não existem provas suficientes para fazer uma afirmação quanto à sua eficácia. As forças por detrás da acupunctura não foram demonstradas pela metodologia anatómica ou fisiológica.
Contudo, cerca de 3,1 milhões de norte-americanos adultos e 150 000 crianças já utilizaram a acupunctura durante o ano passado. Entre 2002 e 2007, o uso da acupunctura entre os adultos aumentou em cerca de um milhão de pessoas.
A U.S. Food and Drug Administration (FDA), instituto norte-americano que regula o uso de medicamentos e terapias, legislou que as agulhas da acupunctura são seguras desde que usadas apenas por terapeutas licenciados, requerendo que sejam esterilizadas e não-tóxicas. Relativamente poucos foram os casos de complicações devido ao uso da acupunctura que tenham sido levados à FDA, comparados com os milhões de pessoas que são tratadas anualmente e o número de agulhas utilizadas. Contudo, se não for feita por terapeutas qualificados, a acupunctura pode causar efeitos secundários potencialmente graves, tais como infeções ou perfuração de órgãos.
Tem havido muitos estudos tentando mostrar os benefícios para a saúde obtidos pela acupunctura para uma larga variedade de problemas. Resumindo as investigações mais antigas, o NIH Consensus Statement de 1997 sobre a acupunctura relatou que, em geral, os resultados eram difíceis de interpretar devido aos problemas com o tamanho e a delineação dos estudos. O CNMCA continua a financiar uma extensa investigação numa tentativa de obter uma compreensão científica da acupunctura.
Enquanto a vasta utilização da acupunctura lhe garante mais estudos sobre a técnica, a dificuldade em obter provas concretas da sua eficácia sugere que talvez possa ter pouco mais do que um efeito placebo.

Reiki
O Reiki é uma prática espírita desenvolvida em 1922 pelo budista japonês Mikao Usui. Usa uma técnica normalmente chamada "cura pelas palmas das mãos" como uma forma de medicina complementar e alternativa e foi classificada como medicina oriental por alguns grupos profissionais. Afirma-se que, ao usar esta técnica, os terapeutas transferem a energia da cura na forma de qi através das palmas das suas mãos. Como já foi mencionado, a metodologia atual não pode demonstrar que essa energia existe.
Um estudo de 2009 concluiu que as limitações metodológicas e de registo dos estudos existentes sobre Reiki impedem que se chegue a uma conclusão sobre a sua eficácia. As preocupações sobre a sua segurança são similares às das outras medicinas alternativas não provadas, em primeiro lugar porque os pacientes podem evitar os tratamentos médicos provados para problemas graves, dando preferência às medicinas alternativas não provadas.

Toque terapêutico/toque de cura
O toque terapêutico (comummente abreviado para TT, também chamado toque terapêutico sem contacto) e toque de cura (ou cura à distância) consiste em terapias de energia que alegam promover a cura e reduzir a dor e a ansiedade. Os praticantes do toque terapêutico afirmam que, pondo as suas mãos numa pessoa, ou perto dela, são capazes de detetar e manipular o campo de energia do doente. No seu livro Accepting Your Power to Heal: The Personal 
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Practice of Therapeutic Touch (Aceitando o Seu Poder de Cura: A Prática Pessoal do Toque Terapêutico), Dolores Krieger assevera que, nesta terapia, “na análise final, é quem procura a cura (cliente) que se cura a si mesmo. Nesta forma de ver as coisas, o terapeuta age como um sistema de suporte de energia humana até que o sistema imunitário do doente esteja forte o suficiente para tomar posse”.
Um aclamado estudo sobre o toque terapêutico foi feito por Emily Rosa, de 9 anos, com a ajuda da sua mãe, Linda Rosa, E.F., e Stephen Barrett de Quackwatch, e foi publicado no Journal of American Medical Association (JAMA). O estudo constatou que quem pratica o toque terapêutico não conseguia detetar a presença ou ausência de uma mão colocada a alguns centímetros acima da sua mão quando a sua visão lhe é vedada. Este estudo, que destronou as afirmações dos praticantes do toque terapêutico, é digno de nota porque foi tão simples – e porque Emily foi a autora mais jovem de um estudo publicado pelo JAMA.

Aromaterapia
Na aromaterapia, o cheiro dos óleos essenciais de flores, ervas e árvores é inalado para proporcionar um sentimento saudável e de bem-estar. Uma investigação sobre como a aromaterapia afeta a saúde não demonstrou qualquer melhora no estado imunitário, na cura de feridas, ou no controlo da dor entre pessoas expostas a dois aromas. Mas os resultados de testes controlados alietoriamente, publicados no jornal Psychoneuroendocrinology, mostraram que o limão (considerado um estimulante) pareceu melhorar o humor, enquanto a alfazema (embora seja um relaxante) não teve efeito sobre o humor. Os investigadores concluíram que nenhum dos aromas teve qualquer outro benefício relacionado com a saúde.

Melhor prevenir do que remediar
Embora, em muitas situações, a MAC seja inócua, alguns tipos podem ter riscos. Muitas das terapias discutidas são baseadas em hipóteses para as quais não há evidências, e outras estão ligadas a convicções religiosas. Diga sempre ao seu médico as práticas complementares ou alternativas que usa. Dê-lhe uma visão clara do que está a fazer.

Peter Landless
Médico especialista em medicina interna e cardiologia

Kathleen H. Liwidjaja-Kuntaraf
Diretora Associada de Prevenção

Allan Handysides
Médico especialista em ginecologia, obstetrícia e pediatria

Referências:
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